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  • Leonardo Ritter; Drano Rauteon

Cap. 1.1b. Introdução à Eletrodinâmica - Parte 2

Atualizado: 12 de mai.

Neste texto continuaremos dissertando sobre elétrica e eletrônica!

A base para se aprender sobre o funcionamento de automóveis, hardware de computador e outros aparelhos é o estudo da eletrônica, portanto, aqui vamos ver conceitos básicos sobre elétrica e algumas fórmulas matemáticas usadas para calcular tensão, resistência, corrente, potência elétrica, consumo elétrico e frequência.

Vamos comçear por algumas coisas simples...

Tensão, Corrente e Resistência


O início dos estudos sobre eletrônica se começa com o básico. Como já foi explicado o que é corrente, tensão e resistência elétrica, vamos as fórmulas:


> V: Tensão (em Volts);

> I: Corrente (em Amperes);

> R: Resistência (em Ohms).


A primeira Lei de Ohm, vista no Capítulo 1.1, está relacionada com as fórmulas abaixo:

EXEMPLO 1:

Qual o resistor necessário para um circuito com alimentação de 16 Volts a 1,22 Amperes?

Diagrama 1


É só dividir a tensão pela corrente:

16 / 1,22 = 13, 1 Ohms

Se tiver apenas os valores de resistência e corrente, ficaria:

13,1 . 1,22 = 15, 98 Volts

Se tiver apenas os valores de tensão e resistência:

16 / 13,1 = 1,22 Amperes

Para LEDs também há fórmulas. Cada cor requer uma resistência específica. LEDs comuns trabalham entre 1.7 e 2.8 Volts e 0,01 e 0,02 Amperes. Eles não podem receber, por exemplo, uma tensão de 12 Volts e corrente de 0,1 Ampere diretamente em seus terminais.

Imagem 1


Para calcular o resistor necessário para um LED, é necessário subtrair a tensão nominal do LED (tNL) da tensão do circuito (tC). O resultado desta subtração deve ser dividido pela corrente nominal (cNL) suportada pelo LED.

EXEMPLO 2:

Num circuito de 9 Volts e 0,5 A é preciso montar um LED verde (2,1 Volts e 0,020 Amperes):

(9 - 2,1) = 6,9 Volts

6,9 / 0,020 = 345 Ohms

É necessário um resistor de 345 Ohms para que este LED funcione neste circuito.


OBSERVAÇÃO: Caso não seja colocado um resistor com valor igual ou próximo de 345 Ohms, o LED queimará. Um resistor com valor muito alto pode limitar muito a corrente elétrica, fazendo com que o brilho do LED diminua.

Diagrama 2 - Como ligar um LED!


OBSERVAÇÃO: No caso deste circuito do exemplo, o LED e o resistor devem estar em série, isto é, o resistor ligado ao polo positivo da fonte e o polo positivo do LED ligado ao resistor. Como o resistor está antes de LED, toda a tensão que o LED não suporta é aplicada no resistor e dissipada em forma de calor.


CURIOSIDADE: Você sabia que se pode ligar um ou mais LEDs na rede elétrica? Basta fazer o uso do resistor e do diodo! O diodo 'elimina' o semi-ciclo negativo da tensão alternada e o resistor dissipa toda a energia que excede os limites do diodo emissor de luz. Para calcular o valor de resistência elétrica necessário em tal circuito faz-se uso das mesmas fórmulas apresentadas aqui!

Para saber mais sobre os diodos, CLIQUE AQUI!

Para saber mais sobre os LEDs, CLIQUE AQUI!

 

Potência


Como dito no Capítulo 1.1 desta série sobre eletrônica, a potência elétrica é medida em Watts e é a capacidade de transformação de um tipo de energia em outro. Por exemplo, quando um chuveiro elétrico está funcionando, uma parte da energia utilizada por ele para esquentar a água é transformada em calor.

Para calcular a potência elétrica (P) em um circuito, devemos saber a tensão (V) e a corrente (I) para poder substituir na fórmula:

EXEMPLO 3:

Voltando ao exemplo do LED acima, se quisermos calcular a potência dele é só multiplicar a tensão pela corrente nominal do LED. No caso do LED verde é 2,1 V e 0,020 A:

2,1 . 0,020 = 0,042 Watts

EXEMPLO 4:

Para o resistor do EXEMPLO 1, a potência aplicada sobre ele será de:

16 V . 1,22 A = 19,52 Watts

E O CONSUMO MÉDIO?


Já parou para pensar quanto você gasta de energia elétrica em sua casa todo mês?

O cálculo do consumo médio de um aparelho elétrico ou eletrônico não é complexo. Veja abaixo:

EXEMPLO 5:

Suponha que em uma casa há uma TV LCD de 22 polegadas que consome 60 Watts. O dono desta TV a deixa ligada por mais ou menos 2 horas todos os dias.

Para que o cálculo fique mais fácil, devemos transformar a potência em kiloWatts (kW), e para isso devemos dividir a potência do aparelho por 1000.

60 / 1000 = 0,06 kW

Como dito acima, a TV fica ligada em torno de 2 horas por dia, todos os dias do mês, então é só multiplicar a quantidade de horas que o aparelho fica ligado por dia, pelos dias em que ele é usado. Então fica assim:

2 horas . 30 dias por mês = 60 horas


Portanto, este aparelho fica ligado 60 horas por mês.

Multiplicando a potência do aparelho em kiloWatts pelas horas de uso em um mês tem-se seu consumo médio:

0,06 . 60 = 3,6 kW/h (kiloWatts por hora)

EXEMPLO 6:

A potência do LED do exemplo 3 é de 0,042 Watts, que dividido por 1000 é igual a:

0,000042 kW

Suponha que este LED fique ligado 10 horas por dia e 25 dias por mês:

10 . 25 = 250 horas por mês

Multiplicando a potência em kW pelas horas em que ele fica ligado todo mês, tem-se:

0,000042 . 250 = 0,010 kW/h

 

Frequência


Para calcular a frequência elétrica, devemos saber algumas coisas:


PERÍODO


É o tempo que a fonte leva para produzir uma onda completa. Esse tempo é representado pela letra T. Para saber quantas ondas (ciclos) vão ter no período de 1 segundo, devemos utilizar a fórmula:

Onde:

> f: Frequência, medida em Hertz (Hz).

COMPRIMENTO


Uma onda pode ser medida de crista a crista, vale a vale ou do início ao final de um ciclo. A fórmula abaixo serve para calcular o comprimento de uma onda eletromagnética:

Onde:

> C: Comprimento;

> Velocidade da luz: 299.792.458 metros por segundo (M/s).

Veja abaixo as formas de medir o comprimento de uma onda.

Gráfico 1


Gráfico 2


Gráfico 3


As formas de medir comprimento de onda vale para todos os tipos de onda (quadradas, retangulares, triangulares, senoidais e etc).

VELOCIDADE


Toda onda possui uma velocidade de propagação, que é determinada pela fórmula:

Onde:

> D: Distância percorrida;

> T: Tempo gasto, em segundos (s);

> f: Frequência, medida em Hertz.

Para ondas eletromagnéticas, a velocidade de propagação é igual a velocidade da luz, que é de 299.792.458 metros por segundo.

AMPLITUDE


Toda onda tem uma altura, que é a distância entre o ponto 0 (ou linha central) até sua crista. Quanto maior a altura (amplitude), maior é a quantidade de energia transportada.

EXEMPLO 7:

Um transmissor de rádio emite sinais na frequência de 500 KHz (500000 ciclos por segundo. Qual é o período e o comprimento destas ondas?

1 / 500000 = 0,000002 segundos (2 milionésimos de segundo)


Portanto, uma onda completa é gerada em 2 milionésimos de segundo e repetida 500 mil vezes por segundo.

Velocidade da luz . 2 milionésimos de segundo = Aproximadamente 60000 cm (600 metros)


Esta onda possui um comprimento de 600 metros.

Para ler mais sobre frequência, acesse os links sugeridos abaixo:

Hardware - Clock: CLIQUE AQUI para descobrir!

Cap. 1.1. Eletrodinâmica: CLIQUE AQUI!

Há quem diga que, num choque elétrico o que pode matar é a tensão. Para outros é a corrente elétrica... Mas afinal, o que é fatal?


Primeiro, devemos lembrar que, para haver corrente elétrica é necessário uma diferença de potencial entre dois polos. Uma ave não morre eletrocutada quando pousa sob um único fio em uma rede de alta tensão (pois está no mesmo potencial), mas se ela conseguisse encostar em dois fios ao mesmo tempo, a morte seria instantânea (pois há uma defasagem entre fases, gerando uma DDP entre elas).

Complemento 1


Apesar da corrente elétrica ser o pivô da nossa discussão, há um conjunto de váriáveis que vão determinar o efeito de um choque elétrico no corpo Humano. O primeiro já sabemos, é a necessidade da existência de um DDP para haver o fluxo de elétrons.

As demais são as seguintes:

-> Resistência elétrica do meio;

-> Duração;

-> Percurso;

-> e Intensidade.


Mesmo havendo uma DDP, a possibilidade de 'levar um choque' depende primeiro da resistência elétrica do corpo. É por este motivo que uma pilha de 1,5 V ou uma bateria de 9 ou 12 V não nos mata eletrocutados. No entanto, por exemplo, se você abrir uma TV de tubo 'pra fuçar' deve tomar muito cuidado, pois uma descarga elétrica do cinescópio, apesar de fornecer uma corrente muito baixa, consegue dar um bom susto devido à alta tensão da descarga, e aí sim, o efeito de um choque elétrico vai depender que quanta corrente está fluindo pelo corpo, do trajeto que esta corrente faz e do tempo que ficamos eletrocutados. Até mesmo a frequência do sinal elétrico no momento do choque influência no resultado.


Sendo assim, um choque elétrico com pouca ou muita corrente pode fazer estragos. Tanto é que é possível sentir um 'formigamento' quando tocamos no chuveiro ligado mesmo sua carcaça sendo de resina polimérica (não conduz eletricidade), pois aqui a umidade faz o papel de condutor, atenuando ainda mais a resistência elétrica do nosso corpo.

Imagem 2 - Uma central elétrica indústrial com avisos de perigo


De qualquer forma, alertas de perigo em circuitos elétricos sempre destacam a tensão, em ferramentas é sempre informado a tensão máxima que se pode expô-las sem perder o isolamento elétrico... pois é esta a variável que pode desencadear um problema maior!

Imagem 3 - Um alicate Tramontina com capas indicando isolamento elétrico para até 1 kV

Se num chuveiro é a resistência elétrica menor que proporciona o maior aquecimento, como que numa conexão elétrica com mau contato (resistência elétrica elevada) também há aquecimento (podendo haver até incêndio)?


Primeiro, precisamos entender que, sim, uma resistência elétrica menor proprociona maior condução de elétrons, o que tende a gerar mais calor (colisões e agitação de partículas), no entanto, um determinado campo elétrico também proporciona a quebra da rigidez dielétrica de um meio e, consequentemente, a agitação de partículas, gerando calor.


Vamos pegar como exemplo as bobinas de ignição dos motores de combustão interna. Elas precisam transformar a tensão de 12 Volts do circuito em uma alta tensão (na faixa das dezenas de kV) para que as velas de ignição consigam criar a centelha que ioniza a mistura de ar com combustível vaporizado dentro da câmara de combustão.

Agora imagine uma tomada doméstica com mau contato. Os pinos ficam frouxos nos orifícios. Há uma folga muito menor que meio milímetro entre os terminais. Esta folga está preenchida com ar atmosférico, muitas vezes somado com umidade. O que poderia acontecer?

Um campo elétrico é gerado ao redor do fio quando ele é percorrido por uma corrente elétrica, e não é diferente nos terminais da tomada. Este campo elétrico pode quebrar a rigidez dielétrica do meio circundante e proporcionar uma condução por fagulha para os pinos, ocasionando um aumento de temperatura neste ar que envolve os conectores. É daí que vem o aquecimento num mau contato.

Imagem 4 - Uma placa de circuito com substrato feito de PP-T40


Na imagem acima temos a placa da lanterna de um automóvel que precisou ter um dos soquetes reparado devido ao aquecimento por mau contato. O calor gerado pela condução de elétrons através do ar foi tanto que deformou o substrato de PP-T40 (Polipropileno com 40% de Talco).


CURIOSIDADE: Para saber mais sobre placas de circuito, CLIQUE AQUI!


Basta imaginar que uma conexão elétrica é como uma emenda de tubos hidráulicos. Se a emenda não for bem feita, vazamentos e despedícios serão criados. Enquanto que um vazamento de óleo faz sujeira e contamina o ambiente ao redor, um mau contato gera calor (inclusive, pode se gerar também luz – faísca - e ruído audível, ou seja, a energia é dissipada de várias formas), e em muitos casos um incêndio.


Mas e se a emenda contiver impurezas?

Neste caso, a mesma ideia se aplica. Uma atmosfera umida pode tornar a oxidação de ligas de Cobre mais rápida ainda, gerando o famoso “zinabre”, um carbonato com propriedades isolantes, prejudicando o contato entre terminais. Como dito, o campo elétrico pode gerar a ionização dos gases circundantes e promover uma condução acompanhada de tanto calor quanto.


Basicamente, eu descrevi o efeito Corona. O campo elétrico ao redor do condutor pode quebrar a rigidez dielétrica do ar e permitir condução para outro condutor muito próximo através de arco-voltaico. Isto, em alguns casos pode gerar até curto-circuitos, tal como o flash over nas velas de ignição.


CURIOSIDADE: Para saber mais sobre velas de ignição, CLIQUE AQUI!

 

Calor e têmpera


Sabemos que a Têmpera é um processo de tratamento térmico com resfriamento contínuo cujo objetivo é proporcionar uma melhora nas características mecânicas, e principalmente vemos este termo relacionado com aços e vidros.

Pois bem, um componente metálico exposto a constantes ciclos de aquecimento e esfriamento, sejam eles bruscos ou não, vai tendo sua estrutura cristalográfica modificada ao longo do tempo, tendo, por consequência, suas características elétricas e mecânicas alteradas. Eu estou me referindo à condutividade elétrica e módulos de cisalhamento e elasticidade, resultando em problemas no futuro.


No texto "Características Mecânicas dos Materiais - PARTE 2" disserto no último tópico sobre o Alívio de Tensões em ligas metálicas e o envelhecimento de ligas proporcionado pela temperatura. Neste artigo também cito alguns exemplos envolvendo terminais elétricos feitos de ligas de Cobre e ligas de Aço.


Fazendo esta análise de envelhecimento do ponto de vista térmico, um simples mau contato tende se tornar uma bola de neve comprometendo cada vez mais a condutância elétrica e a resistência física. Mas ainda assim, não causando um incêndio já está ótimo!

Transiente, em eletricidade, é um surto de tensão elétrica que ocorre num intervalo de tempo muito pequeno. Existem duas formas de os transientes serem gerados em um equipamento elétrico ou eletrônico: via perturbações externas ou via resposta do próprio circuito eletrônico ao chaveamento.

Os casos típicos de transientes incluem:

→ Raios que caem perto da rede elétrica, e induzem uma DDP muito alta. Essa indução acontece quando uma corrente elétrica varia rapidamente, criando um campo eletromagnético que é absorvido pelos fios da rede elétrica ou telefônica, que atuam como antenas.

→ O chaveamento de cargas fortemente indutivas, como o motores elétricos ou relés, gera transientes que são causados pela força contra eletromotriz. Isso acontece pois um indutor opõe-se à variação de corrente elétrica. Quando ocorre a abertura (desligamento) de um circuito, a energia armazenada sob a forma de campo magnético é usada de forma a forçar a manutenção da corrente pelo circuito com uma tensão inversa à inicialmente aplicada, e de valor usualmente muito mais elevado. Por consequência, nos terminais da chave que se abre, em muitos casos, pode ser notado uma centelha (conhecido também como arco elétrico ou "spike") entre os contatos devido à este pulso de alta tensão.


Quando um equipamento é acoplado ao circuito, é normal que ele também gere uma espécie de transistente, porém, neste caso a tendência é uma oscilação de tensão para baixo, isto é, uma momentânea queda de tensão diretamente relacionada com a corrente exigida para o seu funcionamento.

Um ótimo exemplo disso está em seu automóvel: toda a vez que você fôr dar a partida no motor de combustão, o motor de arranque é acoplado ao circuito por alguns segundos, gerando uma queda de tensão na bateria, que logo depois retorna ao normal e começa a ser então alimentada pelo alternador:

Vídeo 1 - Ao dar partida no carro, a bateria é bastante exigida


Perceba que antes de acionar o motor do carro, a simples alimentação de módulos eletrônicos, bomba de combustível e rotor do alternador já bastou pra gerar uma queda de 12,52 Volts para 12,40 Volts. Ao dar partida, a tensão bate os 10,6 Volts. Após a partida, o alternador passa a alimentar o circuito, elevando a tensão na bateria para 14,53 Volts.


Vamos focar na condução pela rede, afinal aqui entra a possibilidade de uso de vários componentes já destrinchados pelo HC para a proteção do circuito.


Quando um relé ou contactora é desarmada, a energia armazenada em forma de campo magnético em seu enrolamento é descarregada com uma tensão demasiadamente elevada (quando comparada com o valor nominal de alimentação) e flui no sentido contrário.

Essa descarga elétrica pode danificar componentes semicondutores, por exemplo, portanto, para sanar o problema pode ser aplicado um dispositivo conhecido como supressor de surto.

Imagem 5 - Manual de uma contactora WEG e lista de dispositivos supressores compatíveis


Para os sistemas WEG:

-> BAMRC: Supressor composto por um Capacitor+Resistor (em série);

-> BAMDI: Supressor composto por um Diodo;

-> BAMV: Supressor composto por um Varistor.


Tal dispositivo é posicionado em paralelo à bobina e possui uma resistência elétrica um tanto baixa, permitindo que a corrente da descarga possa fluir por ele e não vá para outros pontos do circuito.

Imagem 6 - Esta contactora possui um Resistor + Capacitor para supressão de surto


Sistemas industriais que operam com tensões demasiadamente elevadas podem fazer uso do bom e velho varistor. O varistor pode ser também aplicado em fontes de alimentação diversas, fazendo a dissipação de surtos de tensão elétrica. Para saber mais sobre seu funcionamento, CLIQUE AQUI!


Um supressor de surto muito comum é o Diodo de roda-livre, presente em relés e contactoras acionadas por corrente contínua. Um resistor também pode ser de grande valia nestes sistemas, saindo até mais em conta que o diodo.

Diagrama 3 - Perceba o posicionamento do diodo no circuito


Como a alta tensão da descarga flui no sentido contrário, o diodo é posicionado em anti-paralelo, isto é, com sua polaridade invertida em relação ao circuito (pois semicondutores conduzem em apenas uma direção).


CURIOSIDADE: Para saber mais sobre semicondutores, CLIQUE AQUI!


No caso do resistor, como não há polaridade, ele é simplesmente posicionado em paralelo à bobina. Veja a caixa de fusíveis e relés de um Ford Focus MK1.5:

Imagem 7 - Todos os relés instalados na Fuse&Relay Box da figura acima possuem um resistor integrado


Pegamos um destes relés, mais especificamente o responsável por acoplar a embreagem magnética que aciona o compressor do ar-condicionado. Observe os valores medidos:

Imagem 8 - A bobina possui 88 mH (miliHenry), enquanto o resistor possui 72 Ω (Ohms)


Em geral, tais relés automotivos podem gerar um pulso de 300 ~ 400 V ao serem desligados, e o resistor em paralelo permite dissipar o surto e baixa-lo para um valor na casa dos 50 Volts. A vantagem do Diodo de roda-livre é conseguir atenuar ao ponto de quase extinguir este pico de alta tensão reversa, sendo muito mais eficaz que o resistor.


CURIOSIDADE: Se você levar em conta esta característica das bobinas, vai entender como funciona um transformador facilmente. Caso queira compreender melhor o funcionamento das bobinas de ignição, CLIQUE AQUI!


O pulso de alta tensão ao abrir um circuito indutivo pode gerar arco voltaico, e isso é muito bem observado nas comuns redes de distribuição de média e alta tensão, que portam chaves fusíveis.

Imagem 9 - Chave com fio fusível em uma rede trifásica de 33 kV


Toda a vez que, por algum motivo maior uma ou mais fases são desarmadas podemos notar um pequeno arco elétrico gerado durante o desacoplamento do circuito em função da variação do fluxo de corrente no exato momento do desarme. Esta descarga também está relacionada com a indutância e pode exceder centenas e até milhares de Volts acima do valor nominal da rede.

Observe a seguinte fórmula:

Onde:

> V: Surto de tensão que gera o arco elétrico, dado em Volts;

> Δi: Variação da corrente elétrica no momento do desacoplamento, dado em Amperes;

> Δt: Momento da interrupção, dado em milissegundos.


Agora aprecie o seguinte exemplo:

Vídeo 2 - O surgimento do arco elétrico ao abrir um circuito


Ao fim deste tópico podemos concluir que o acomplamento de um circuito na rede pode provocar uma momentânea queda de tensão, enquanto que o desacoplamento de um circuito provoca um possível surto de tensão.


No seguinte vídeo, podemos notar um quase imperceptível movimento no ponteiro do manômetro de tensão quando é dada a partida num motor de 40 cv que aciona quatro bancos de cilindro duplos num moinho de trigo:

Vídeo 3 - A queda de tensão se acentua sensívelmente quando são acionados outros motores do diagrama


OBSERVAÇÂO: No vídeo acima notamos o manômetro de corrente ter um pico de mais de 200 Ampéres e logo depois retornar ao zero, entretanto, aquele ponteiro 'deita ao zero' apenas durante um baixo consumo geral, onde todas as máquinas estão desligadas / sem carga, não significando "0 Ampéres", pois se assim fosse nenhuma lâmpada, interruptor ou computador no prédio funcionariam, nem tensão teria. Conforme todos os outros motores são acionados (e são dezenas de propulsores elétricos), o manômetro permanece entre 200 e 300 Ampéres com o digrama em pleno funcionamento diário. Já a tensão sofre apenas uma leve queda de 5 ~ 7 Volts ao ligar todo o maquinário, nunca baixando de 380 V (rede trifásica).

O costume de chamar um equipamento de “bivolt” já está enraizado no consumidor. Até mesmo lojas e fabricantes vendem produtos com este termo na descrição.

Imagem 10 - Essa descrição nem é a pior do site da Philco...


Mas o que isso exatamente significa?

Significa um erro, uma incongruência. Não existe equipamento bivolt. Mas então como muitos deles podem operar com duas tensões?

Primeiro, precisamos entender que eles não operam com duas tensões em simultâneo, e é isso que o bivolt significaria.

Todo o aparelho que é projetado para funcionar com 127 ou 220 Volts necessita de, no mínimo, uma chave seletora, tal como as fontes de alimentação ATX para PCs mais antigas. Pois bem, há também aqueles aparelhos “Auto-switch”, que podem detectar a tensão de alimentação de forma autônoma para direcionar a energia aos circuitos correspondentes, isto pois, fontes com chave seletora ou as Auto-Switch trabalham com a DDP mais alta (220 V) e, quando alimentadas em 127 V é preciso “dobrar” a tensão, necessitando de um circuito específico para tal função.

Todavia, a maioria dos equipamentos atuais não possuem seleção manual ou automática de tensão. Eles são Full Range!


O que é Full Range?


Seu smartphone, sua TV, seu PC, seu tablet ou até mesmo peças de caminhão são full range. Tais peças e aparelhos não suportam duas opções de tensão definidos, mas sim uma faixa, um diapasão, um espectro de tensão. Basta pegar uma lâmpada LED doméstica, e em seu rótulo estará escrito “80 ~ 240 V” ou “100 ~ 240 V”:

Imagem 11 - Não existem lâmpadas bivolt!


Perceba o uso do termo “autovolt”

Autovolt é uma modernização do erro bivolt, significando que “o aparelho se adapta à tensão da tomada, mesmo que ela seja 110, 115, 127, 220, 230 ou 240” e por aí vai... Full range seria o mais correto, mas não é difundido entre o público.


Uma lâmpada destas poderia funcionar até mesmo na rede elétrica do Japão, que opera com 100 Volts, ou em redes elétricas do Sul do Brasil, onde predomina 220 V. Se a rede fosse de, por exemplo, 170 Volts, um aparelho “autovolt”, ou melhor dizendo, full range, vai funcionar tranquilamente.

Imagem 12 - Parece que a fonte do smartphone Philco é Full Range!


O erro bivolt é difundido até mesmo em peças de caminhão. Alguns caminhões possuem sistema elétrico de 12 Volts, porém, a maioria é 24 Volts (ambos os valores são de tensão contínua).


OBSERVAÇÃO: Um caminhão normalmente tem duas baterias ligadas em série, fornecendo os 24 V (12 + 12), todavia, neste caso, pode se ter componentes ligados em apenas uma bateria, ou seja, que trabalham em 12 Volts, sendo assim, nestes veículos é possível usufruir das duas tensões em paralelo.


A questão é que, peças consideradas universais, - e aqui estamos nos referindo ao mais comum, que é iluminação automotiva – atualmente são feitas com transistores e LEDs e sem qualquer chave de seleção manual, muito menos seleção automática. Estas peças podem funcionar num espectro de 10 até cerca de 30 volts tranquilamente, ou seja, são full range e atendem ao padrão 12 V e o 24 V. Ainda assim vendem-as como “bivolt”.

Imagem 13 - Pequena lanterna delimitadora no para-choque de um semi-reboque da marca Biasi

Esta pequena lanterna delimitadora posicionada na canto traseiro direito do semi-reboque já é um pouco mais condizente:

Imagem 14 - Lanterna delimitadora full range. Opera entre 10 e 30 Volts CC


CURIOSIDADE: Se tratando das lâmpadas incandescentes (halógenas), é necessário saber a tensão de trabalho do componente, pois colocar uma lâmpada de 12 V num circuito de 24 V é pedir pra jogar dinheiro fora no primeiro momento de uso. O lado bom é que tais lâmpadas são baratas e apenas encaixadas em soquetes no interior da lanterna (como na Imagem 4), diferente dos LEDs...

Imagem 15 - Lanternas com lâmpadas incandescentes são mais baratas e simples de manter!


CURIOSIDADE: Para saber mais sobre lâmpadas incandescentes, CLIQUE AQUI!


Se você leu o artigo sobre alternadores automotivos, verá que com o veículo ligado a tensão do circuito fica sempre acima de 25 Volts.


CURIOSIDADE: Para saber mais sobre alternadores, CLIQUE AQUI!

Abaixo, deixo um gráfico com as principais fórmulas para calcular corrente, tensão, potência e resistência elétrica.

Gráfico 4 - A organização das fórmulas básicas da eletrodinâmica


Ficou com alguma dúvida? Achou que falta alguma coisa? Entre em contato pelo e-mail hardwarecentrallr@gmail.com! Compartilhe conhecimento!




 

FONTES e CRÉDITOS:

Imagens e texto: Leonardo Ritter

Referências: Livro " Eletrônica para Autodidatas, Estudantes e Técnicos"; meu caderno de física da escola.

Última atualização: 17 de Dezembro de 2023.

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