Especial - Placas-mãe “diferentonas“ - Parte 3

Especial - Placas-mãe "diferentonas" - Parte 3

24/10/2018

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  Olá leitor! Outubro é o mês de aniversário do Hardware Central, e para dar uma variada na sequência de artigos, resolvemos listar e explicar equipamentos diferentes do comum, tecnologias fora do comum.

Para ver a parte 1 desta série, CLIQUE AQUI!

Para ver a parte 2 desta série, CLIQUE AQUI!

  Em meados de 2009, a fabricante Taiwanesa DFI criou uma placa-mãe um pouco peculiar. Ela vinha com duas plataformas diferentes integradas: um socket LGA775, suportando Intel Celeron, Pentium, Core 2 Duo e Core 2 Quad e um microprocessador Intel Atom com chipset nVidia ION. A ideia era interessante: utilizar as duas plataformas, sendo uma para manter aplicações básicas (baixar arquivos, ver vídeos, um pequeno servidor de arquivos e coisas leves) e a outra seria destinada para jogos e outras coisas que exigem muito processamento. O objetivo era poupar energia, sendo que o chaveamento entre uma plataforma e outra poderia ser feito com o computador ligado, sem a necessidade de usar um sistema operacional formatado em cada plataforma (mas deveria haver pelo menos um HDD em cada plataforma para armazenar arquivos do usuário).

  A placa-mãe se chama DFI Hybrid P45-ION-T2A2 e pode ser vista abaixo:

  Os dois sistemas compartilham o mesmo Super I/O (utilizam o mesmo barramento LPC).

  Para utilizar o Intel Atom desta placa, o usuário deveria comprar pelo menos um módulo de memória RAM DDR2 SODIMM (o mesmo formato utilizado em notebooks). Veja a imagem abaixo

   Perceba que, próximo a borda da placa há um conector Molex igual ao utilizado em HDD's IDE. É apenas uma alimentação elétrica extra para o sistema Intel Atom e nVidia ION.

  Esta placa também vinha com uma fonte de alimentação parecida com as de notebooks, e poderia ser conectada à um adaptador preso em uma das baias do gabinete. Veja a imagem abaixo:

   Perceba o conector preto logo abaixo do jumper azul. Agora veja a imagem da fonte montada:

  Abaixo, você vê o sistema Atom e nVidia ION sem o dissipador de calor:

   A placa também vinha com uma espécie de switch. Um chip de gerenciamento de rede onde pode ser conectado vários cabos Ethernet. O PHY de rede do sistema Atom e o PHY presente na plataforma LGA775 são conectados à este switch. No painel traseiro também há duas portas Ethernet. Com isso, ao trocar de plataforma com o PC ligado, um download em andamento poderia ser transferido de um para o outro (teoricamente), sem problemas de travamentos ou cancelamentos e sem a necessidade de reiniciar. Veja a imagem do switch (circulado em tom azulado) abaixo:

  Para que tudo funcionasse harmoniosamente, a placa vinha com um pequeno painel de seleção, onde há três botões (veja a utilidade de cada um na lista de especificações abaixo):

 Agora veja as especificações:

   Veja as características dos dois modelos de chipset nVidia ION, feitos especialmente para Intel Atom:

  O chipset Intel P45 não tem vídeo integrado, apenas o ION tem uma GeForce 9400 integrada com direito a duas portas DVI no painel traseiro, sendo uma delas para entrada de vídeo e outra para saída de vídeo em direção ao monitor.

  Para usar a plataforma LGA775, você deverá obrigatoriamente colocar uma placa de vídeo Off Board. Esta placa terá que ter uma interface DVI ligada à entrada de vídeo DVI da placa-mãe, sendo o outro conector DVI da placa-mãe ligado ao monitor. Veja a imagem abaixo para captar a ideia:

  Toda esta parafernalha de switch de rede, duas portas DVI, compartilhamento de Super I/O, compartilhamento das portas USB e um controlador de áudio para cada plataforma constitui um chaveador KVM (Keyboard, Vídeo and Mouse - Teclado, Vídeo e Mouse), ou seja, um dispositivo que permite controlar e interagir com vários computadores ao mesmo tempo sem a necessidade da utilização de vários mouses, monitores e teclados.

  Para cobrir todas estas adaptações, a DFI colocava na caixa o pacote completo para fazer esta placa cumprir com o prometido. Veja a imagem abaixo:

 

  A DFI Hybrid P45-ION-T2A2 acabou não vingando. Apesar de trazer benefícios e ser exótica, era um produto caro devido a maior quantidade de peças (era como se fosse duas placas-mãe em apenas uma) e a quantidade de equipamentos extras para fazer tudo funcionar.

  Minerar bitcoins virou uma febre pelo mundo, tanto que algumas fabricantes de placas-mãe lançaram modelos exclusivos para isso, colocando vários e vários slot's PCI Express para conectar muitas placas de vídeo.

  Minerar bitcoins não exige uma alta taxa de transferência entre placa-mãe e placa de vídeo, desta forma as fabricantes optaram por lotar a PCB com slot's PCI Express x1. Podemos citar um modelo mais básico direcionado para mineradores: a Biostar TB250 BTC Pro.

  Veja os vários slot's PCIe x1 desta placa.

  Mas como colocar várias placas de vídeo enormes em slot's tão próximos um do outro? Simples! Basta utilizar adaptadores Rizer que ligam o slot x1 via cabo USB 3.0 à outra plataforma com o slot x16 para a placa de vídeo.

  Veja um adaptador deste na imagem abaixo:

   Apesar de ser utilizado um cabo USB 3.0, a pinagem e os fios são baseados na interface PCI Express, portanto não se pode utilizar um adaptador PCIe x1 para USB 3.0 como conector para pendrives e outros dispositivos USB.

  Para saber mais sobre o adaptador Rizer PCIe, CLIQUE AQUI!

  Outra placa-mãe exclusiva para mineração é a Asus B250 Mining Expert, com suporte para 19 placas de vídeo. Veja a imagem dela abaixo:

   Perceba que há 3 conectores ATX de 24 pinos para suprirem a demanda de energia. 

  Assim como a Biostar TB250 BTC Pro, esta Asus também utiliza um chipset Intel B250 e socket compatível com a sétima geração de processadores da Intel. Lembre-se que é o processador que controla os lanes PCIe nessa arquitetura mais atual. O chipset também possui alguns lanes PCIe, mas são voltados para interfaces secundárias (Bluetooth, GPS, entre outras).

  O modelo mais atual é a Asus H370 Mining Master, com suporte a oitava geração de CPU's Intel, suporte à 20 placas de vídeo e um chipset Intel H370. Veja a imagem abaixo:

   Perceba que não há mais slot's PCIe x1. Não são portas USB 3.0 nativas, mas sim lanes PCIe ligados diretamente aos conectores USB 3.0. Novamente alerto que elas não funcionam como portas USB, apenas utilizam o mesmo conector afim de evitar custos com o desenvolvimento de um novo padrão específico para esta função.

  Esta placa já vem com um sistema completo de diagnóstico que verifica o estado da porta (se ela está sendo utilizada, se há algum problema). As portas possuem um código alfanumérico facilitando a identificação e a manutenção da fazenda de mineração.

   Você já viu uma placa-mãe com válvulas termoiônicas? É, aquelas válvulas utilizadas em equipamentos super antigos! A fabricante de hardware AOpen, no início dos anos 2000, criou uma série de placas-mãe com válvulas nos circuito de áudio, mais especificamente na parte de amplificação. Apesar de ser uma tecnologia extremamente antiga, para alguns audiófilosas válvulas termoiônicas tornam o som muito melhor do que os velhos circuitos integrados que fazem tudo por meio de transistores (apesar de alguns dizerem que estas placas valvuladas também tinham um ruído incômodo no som).

   Procurando muito na internet não achamos os esquemas elétricos desta série de placas, mas conseguimos algumas informações técnicas e o manual de usuário, com algumas informações interessantes sobre estas relíquias.

  Talvez o modelo de maior notoriedade desta série seja a AOpen AK86 Tube, com suporte a socket 754, chipset's VIA K8T400M / VT8237 e slot's de memória RAM DDR 400. Veja a imagem abaixo:

  Perceba os conectores extras de alimentação elétrica logo abaixo do chip do BIOS.

  Outro modelo interessante é a AOpen AX4B-533 Tube, de 2002, com suporte à processadores Intel de socket mPGA478, chipset's Intel e slot's de memória RAM DDR 333:

  Veja outra imagem da AX4B-533 Tube:

  Observe o conector de alimentação elétrica extra logo a frente do conector AUX-IN de cor verde.

  Temos mais modelos valvulados produzidos pela AOpen: 

 > AX4GE-Tube e AX4PE-Tube (CLIQUE AQUI PRA ACESSAR O MANUAL).

 > AX4GE Tube-G e AX4PE Tube-G (CLIQUE AQUI PRA ACESSAR O MANUAL).

  Os sufixos PE e GE indicam qual versão do chipset Intel 845 é usada, sendo que as variantes GE apresentam o adaptador gráfico Intel 82845GE. O sufixo G indica a versão sem o chip Promise SATA / ATA133 extra no circuito.

  As especificações técnicas da A4XB-533 Tube e da A4XGE Tube-G:

  São verdadeiras obras de arte e que infelizmente são raríssimas de se achar.

   Estes eram os equipamentos foram do comum que encontrei. Se você souber de mais algum, entre em contato conosco pelo e-mail hardwarecentrallr@gmail.com

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FONTES e CRÉDITOS:

Texto e tabelas: Leonardo Ritter

Imagens: Google Imagens

Fontes: TechwareLabs; Hardware.Info; xataka.com; computerbase.de.

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