• Leonardo Ritter; Drano Rauteon

Cap. 2.5. Os componentes: Capacitor de Plástico

Atualizado: Abr 21

Mais um artigo da série sobre eletrônica, desta vez sobre os capacitores feitos de plásticos!

Sem dúvidas, os materiais plásticos mais utilizados em capacitores são o poliéster (PET, SP, UP e PBT são os tipos mais comuns no mercado), poliestireno (PS, no caso dos capacitores também é chamado de "styroflex"), policarbonato (PC) e polipropileno (PP). Todos estes materiais são polímeros bastante sensíveis a temperatura. É aconselhável utiliza-los em aplicações de baixa frequência, já que o plástico acaba ficando instável, isto é, a capacitância pode variar com sinais oscilando de maneira muito rápida.


CURIOSIDADE: A substituição de capacitores cerâmicos danificados por capacitores a base de plástico pode fazer com que o circuito pare de funcionar ou fique instável, pois capacitores de cerâmica, na maioria das vezes, são aplicados em circuitos de alta frequência. Os capacitores plásticos também costumam apresentar suporte a tensões altas.

Há duas estruturas básicas para capacitores de plástico: os metalizados e os não metalizados. Veja as diferenças abaixo:

CAPACITORES DE PLÁSTICO METALIZADO


A estrutura interna destes capacitores normalmente é composta por dois filmes de plástico. Nos dois filmes uma película metálica é colocada sobre uma das faces, sendo que uma das bordas de cada filme não recebe esta película. Esta película normalmente é uma folha de Alumínio. Abaixo, veja o diagrama simplificado destes capacitores:

Capacitor de plástico metalizado

Diagrama 1


As faces que não possuem esta película metálica são juntadas e os dois filmes são enrolados. Os dois terminais são soldados nas extremidades deste enrolamento, sendo que um terminal fica em contato com a película metálica de um filme e o outro terminal entra em contato com a película metálica do outro filme.

CAPACITORES DE PLÁSTICO NÃO-METALIZADO


A estrutura interna destes capacitores também é composta por dois filmes de plástico. Nos dois filmes uma película metálica é colocada sobre uma das faces, sendo que uma das bordas de cada filme não recebe esta película. Esta película normalmente é Alumínio depositado através de um processo de vaporização (diferente dos capacitores de plástico metalizado onde é colocado uma folha de Alumínio). Abaixo, veja o diagrama simplificado destes capacitores:

Capacitor de plástico não-metalizado

Diagrama 2


As faces que não possuem esta película metálica são juntadas e os dois filmes são enrolados. Os dois terminais são soldados nas extremidades deste enrolamento, sendo que um terminal fica em contato com a película metálica de um filme e o outro terminal entra em contato com a película metálica do outro filme.


Existem também capacitores de plástico com filme metálico ou película a base de Zinco ou Cobre.

OBSERVAÇÃO: Nos diagramas acima os desenhos estão mostrando um sanduíche de camadas de Alumínio e plástico, mas como foi dito nas explicações e nas imagens presentes neste texto, são apenas dois filmes plásticos com metal que são dobrados (ou enrolados, como preferir) várias vezes e então prensados, dando a impressão de serem multicamadas. Existem capacitores de plástico com vários enrolamentos de filmes plásticos com metal que são prensados e ligados em série.

CURIOSIDADE: Quando uma sobrecarga afeta um capacitor plástico não-metalizado, vemos que ele não se danifica tão fácil, pois os filmes são ultra sensíveis e podem evaporar caso haja um excesso de tensão e o material se rompa, evitando assim um curto circuito. Por isso dizem que capacitores plásticos se "auto regeneram" ou se auto-recuperam (self-healing).

A película metálica é ultra fina, possui em torno de 20 a 50 nm, e são depositadas a vácuo sobre o filme plástico. Caso ocorra um campo elétrico que exceda o limite do dielétrico, vai perfurar as armaduras, fazendo com que a película metálica evapore, não tendo mais o elemento condutor na região, apenas o material isolante, que no caso é o plástico. Veja abaixo um furo nas armaduras de um capacitor de plástico devido a uma sobrecarga:

Perfuração em armaduras de capacitor devido a sobrecarga

Imagem 1


Mas e o plástico, ele fica intacto? A resposta é não! A temperatura no local da evaporação do metal transforma o plástico em plasma. Este plasma está altamente comprimido e tenta se expandir, formando uma espécie de bolha. A película de metal que entra em contato com a bolha também evapora, mas em contrapartida, a expansão faz com que o plasma acabe esfriando rapidamente, coisa de microssegundos, minimizando os efeitos e evitando que o capacitor entre em curto.

Veja abaixo, um gráfico com o processo de vaporização do metal e expansão do plasma e um capacitor de plástico:

Processo de auto recuperação dos capacitores de plástico

Imagem 2


Como no local que ocorreu a sobrecarga o metal evaporou e só sobrou o dielétrico, o capacitor pode continuar a ser utilizado normalmente, mas com um pequeno porém: a capacitância se reduz a cada vez que ocorre o processo de evaporação do metal.

Mais detalhes sobre o plasma você vai encontrar no artigo sobre a TV de Plasma e nos artigos sobre a lâmpada fluorescente (UNIDADE 3 do livro online "A Óptica e a Tecnologia"). Lembre-se que, como foi dito, apenas os capacitores de plástico com Alumínio vaporizado possuem a característica de se regenerar.

CURIOSIDADE: Um fator que prejudica os capacitores de plástico é o "efeito corona". Este efeito é o resultado do contato do campo elétrico com o ar, a umidade e partículas de poeira. Os capacitores de plástico sofrem mais com a ação do ar, mesmo a película metálica sendo depositada a vácuo e os filmes plásticos estarem super juntos um do outro, pode restar uma mínima quantidade de ar entre os filmes, nas bordas e cantos do componente. Quando o campo elétrico supera a rigidez dielétrica do ar, ocorrem descargas de corona, que podem afetar a estrutura do capacitor.

Entre os problemas gerados, estão a evaporação da película metálica, bombardeamento de íons e elétrons no filme plástico, deteriorando o dielétrico e reduzindo assim a tensão de ruptura do capacitor, podendo em alguns casos gerar até curto-circuito. Existe um nível de tensão onde começa a surgir problemas com o efeito corona (Início de Tensão Corona VCD), e este nível é dado pela construção interna dos capacitores, principalmente o nível de tensão atingido nas bordas do dielétrico e a espessura do mesmo. Se utilizar capacitores com vários enrolamentos ligados em série internamente, o nível de tensão limite para o surgimento do efeito corona pode ser menor. Se utilizar um capacitor abaixo da tensão VCD, o efeito corona será nulo.

Voltando para a explicação da estrutura do capacitor de plástico, em alguns casos, as fabricantes optam por utilizar um tubo metálico e enrolar o plástico sobre o tubo.

É válido lembrar que capacitores de plástico, independente do tipo, não possuem polaridade.

Capacitores plásticos raramente possuem versões SMD (Surface Mounting Device - Dispositivo de Montagem em Superfície) devido ao tamanho deles. Por mais que o enrolamento seja prensado, é necessário uma grande quantidade de material para gerar as tensões de trabalho e capacitâncias normais, isso torna estes componentes muito grandes para serem aplicados em smartphones, tablets, notebooks e outros dispositivos eletrônicos compactos. Porém, você verá mais abaixo que alguns polímeros possuem características que permitem que capacitores tenham um tamanho menor e possam ser produzidos em SMD, porém com uma utilização reduzida, já que ainda são grandes demais para serem utilizados em aparelhos eletrônicos portáteis.

Veja imagens de capacitores plásticos abertos abaixo:

Obs: Devido os materiais serem super frágeis, até o momento não consegui desmontar um capacitor plástico sem danifica-lo. :(

Capacitor plástico desmontado

Imagem 3


Veja abaixo, outra imagem com dois capacitores de plástico desmontados:

Capacitores plásticos desmontados

Imagem 4


Capacitores plásticos podem ter um encapsulamento plástico feito em polímero de cristal líquido (LCP - Liquid Cristal Polimer), igual ao da primeira imagem, o que faz ele ter um formato retangular e achatado e também ser mais sensível a temperatura. Capacitores plásticos também podem utilizar um encapsulamento de um tipo de resina chamado poliepóxido, que é mais resistente para este fim do que outros polímeros. Com resina, o capacitor também assume um formato retangular e achatado, mas com as pontas arredondadas assim como os capacitores alaranjado e marrom da segunda imagem.

Os materiais plásticos utilizados são derivados de Carbono, e por isso são também chamados de polímeros. Com isso, você pode lembrar dos substitutos dos capacitores eletrolíticos, os capacitores CPA. Os CPA também são feitos com plásticos, mas possuem Alumínio oxidado servindo de dielétrico e um polímero condutor específico apenas para melhorar a condução.

para saber mais sobre os capacitores CPA, CLIQUE AQUI!


Os capacitores explicados neste artigo tem como dielétrico o próprio polímero. O que vai definir suas características técnicas é o tipo de polímero (poliéster, poliestireno, polipropileno, policarbonato), a quantidade de polímero utilizada, a quantidade de metal utilizado na película metálica e as dimensões, isto é, largura e comprimento do filme plástico / metal e o tamanho do(s) enrolamento(s).

Como foi dito mais acima, alguns capacitores plásticos podem ter vários enrolamentos ligados em série em seu interior.


POLIÉSTER (BOPET)


O poliéster é uma categoria de polímeros que possui um grupo funcional éster em sua estrutura. Podem ser feitos de produtos de origem natural, tal como a cutina, presente nas plantas ou de origem artificial, utilizando materiais sintéticos a partir de um processo de policondensação, gerando policarbonato, polibutirato, entre outros produtos, sendo que muitos deles não são biodegradáveis. Poliésteres normalmente são termoplásticos, mas podem ser encontrados poliésteres termoendurecidos (também chamados de termofixos ou termorígidos) como por exemplo o Poliéster Insaturado (UP).

O poliéster utilizado nos capacitores é o Tereftalato de Polietileno Orientado Biaxialmente (BOPET) que também é utilizado na fabricação de fitas VHS, fitas cassete e disquetes.

Capacitores de Poliéster são fabricados tanto em versões metalizadas quanto não metalizadas. O filme de poliéster absorve muito pouca umidade, e esse recurso o torna adequado para projetos "nus" sem qualquer revestimento adicional necessário. São capacitores produzidos em massa de baixo custo na eletrônica moderna, apresentando dimensões relativamente pequenas com valores de capacitância relativamente altos.

Os capacitores PET são utilizados em aplicações de corrente contínua ou para circuitos semicríticos com temperaturas de operação de até 125°C. A classificação máxima de temperatura de 125°C também permite que os capacitores de Poliéster sejam feitos em formato SMD O baixo custo do poliéster e as dimensões relativamente compactas são as principais razões para a alta prevalência de capacitores de filme BOPET em projetos modernos.

As pequenas dimensões físicas dos capacitores de filme PET são o resultado de uma alta permissividade relativa de 3,3, combinada com uma rigidez dielétrica boa, que leva a uma eficiência volumétrica relativamente alta.

POLIPROPILENO (PP)


O polipropileno é um termoplástico, ou seja, é fácil de ser moldado em altas temperaturas e é 100% reciclável. Este material é derivado do propeno, um hidrocarboneto insaturado.

Capacitores com filme de PP são fabricados tanto em versões metalizadas quanto em não metalizadas. O filme de polipropileno é o filme dielétrico mais usado em capacitores industriais e também em alguns tipos de capacitores de potência. O material de filme de polipropileno absorve menos umidade do que o filme de poliéster e, portanto, também é adequado para projetos "nus" sem qualquer revestimento ou embalagem adicional. Mas a temperatura máxima de 105° C, o que dificulta a produção deste tipo de capacitor no formato SMD.

Os capacitores com filme PP têm a menor absorção dielétrica. O fator de dissipação dos capacitores de filme PP é menor que o dos outros tipos de capacitores de plástico. A rigidez rigidez dielétrica do PP é de 650V/µm. A baixa permissividade elétrica é uma pequena desvantagem.

Os capacitores de filme PP tendem a ser um pouco fisicamente maiores do que outros capacitores de filme. Estes capacitores são produzidos em tamanhos que variam entre 20 µm de espessura e largura de até 140 mm. Os rolos são cuidadosamente embalados a vácuo, de acordo com as especificações exigidas para o capacitor.

POLIESTIRENO (PS)


O poliestireno é um homopolímero, resultado do processo de polimerização do monômero de estireno. É um termoplástico, fácil de moldar e bastante flexível a altas temperaturas.

Capacitores de filme de Poliestireno, chamados pelos leigos de "Capacitores Styroflex", eram conhecidos há muitos anos como capacitores de baixo custo para aplicações de uso geral, nos quais alta estabilidade de capacitância, baixo fator de dissipação e baixas correntes de fuga eram necessárias. Mas como a espessura do filme não pode ser menor que 10 µm e as classificações de temperatura máxima atingem apenas 85°C, os capacitores de filme PS foram substituídos por capacitores de filme de poliéster a partir de 2012. No entanto, alguns fabricantes ainda podem oferecer capacitores de filme PS em seu programa de produção, apoiados por grandes quantidades de filme de Poliestireno estocados em seu armazém.

Os capacitores de poliestireno têm uma vantagem importante: eles têm um coeficiente de temperatura próximo de zero e, portanto são úteis em circuitos nos quais a temperatura deve ser evitada.

POLICARBONATO (PC)


O policarbonato é um tipo de polissacarídeo, um polímero de cadeia longa formado de grupos funcionais unidos por grupos de carbonato. Também é termoplástico e o tipo mais utilizado em produtos gerais é o policarbonato a base de Bisfenol A.

Capacitores de filme de Policarbonato possuem um dielétrico feito de ésteres polimerizados de ácido carbônico e álcoois dihídricos. Eles são utilizados em capacitores de filme metalizado e não metalizado.

Esses capacitores têm um baixo fator de dissipação e devido a suas propriedades elétricas relativamente independentes da temperatura. Eles tinham muitas aplicações em sistemas com baixa perda e estabilidade de temperatura, como circuitos de temporização, circuitos analógicos de precisão e filtros de sinal em aplicações com condições ambientais difíceis. Os capacitores de filme de PC foram fabricados desde meados da década de 1950, mas o principal fornecedor deste polímero para capacitores havia cessado a produção do material em forma de filme a partir do ano 2000. Como resultado, a maioria dos fabricantes de capacitores de filme de policarbonato em todo o mundo tiveram que parar a produção e migrar para o filme de polipropileno. A maioria das antigas aplicações de capacitores de PC encontrou substitutos satisfatórios feitos com filme PP.


POLITETRAFLUORETILENO (PTFE)


Os capacitores de filme de Politetrafluoroetileno são feitos com um dielétrico do Fluoropolímero sintético Politetrafluoroetileno (PTFE), um fluorocarboneto sólido hidrofóbico. São fabricados tanto com filmes metalizados quanto com filmes não metalizados, embora a baixa aderência ao filme dificulte a metalização, e isso se deve ao coeficiente de atrito do PTFE (é uma material bastante 'liso').

Os capacitores de filme de politetrafluoroetileno apresentam uma resistência a temperaturas muito altas de até 200 °C, e ainda mais até 260 °C, com redução de tensão. O fator de dissipação 2 x 10 e-4 é bem pequeno. A mudança na capacitância em toda a faixa de temperatura é de +1% a -3% e é um pouco maior que a dos capacitores de filme de polipropileno. No entanto, como a menor espessura de filme disponível para filmes de PTFE é de 5,5 µm, aproximadamente o dobro da espessura dos filmes de polipropileno, os capacitores de filme PTFE são fisicamente mais volumosos do que os capacitores de filme PP.

Adicionalmente a espessura do filme na superfície não é constante, de modo que os filmes de PTFE são difíceis de produzir, portanto o número de fabricantes deste tipo de condensador são bem limitados.

Os capacitores de filme de PTFE estão disponíveis com tensões nominais de 100V a 630V em CC. Eles são usados em equipamentos militares, na indústria aeroespacial, em sondas geológicas e em circuitos de áudio de alta qualidade. Os principais produtores de capacitores de filme de PTFE estão localizados nos EUA.


NAFTALATO DE POLIETILENO (PEN)


Os capacitores com filme dilétrico de Naftalato de Polietileno são produzidos apenas como tipos metalizados. O PEN, como o PET, pertence à família dos poliésteres, mas tem melhor estabilidade em altas temperaturas. Portanto, os capacitores de filme PEN são mais adequados para aplicações de alta temperatura e para invólucros SMD.

No geral, estes capacitores possuem características parecidas com os de Poliéster. Devido à menor permissividade relativa e menor rigidez dielétrica do polímero PEN, os capacitores são fisicamente maiores para um determinado valor de capacitância e tensão nominal. Apesar disso, os capacitores de filme PEN tem maior aceitação do que BOPET quando a temperatura ambiente durante a operação dos capacitores fica acima de 125°C. O dielétrico especial de alta tensão (HV) PEN oferece excelentes propriedades elétricas durante os testes de vida útil em altas tensões e altas temperaturas (175°C). Os capacitores PEN são usados principalmente para filtragem, acoplamento e desacoplamento não críticos em circuitos eletrônicos, quando as dependências de temperatura não importam.


SULFETO DE POLIFENILENO (PPS)


Os capacitores com dielétrico de Sulfeto de Polifenileno possuem um filme plástico feito com o polímero termoplástico, orgânico e parcialmente cristalino Poli(sulfeto de p-fenileno). Eles são produzidos apenas como tipos metalizados.

O fator de dissipação dos capacitores de filme PPS é bastante pequeno, e a dependência de temperatura e frequência do fator de dissipação em uma ampla faixa é muito estável. Somente em temperaturas acima de 100°C que o fator de dissipação aumenta para valores maiores. O desempenho da absorção dielétrica é excelente, atrás apenas dos capacitores de PTFE e PS.

Por causa de suas boas propriedades elétricas, os capacitores de filme PPS são um substituto ideal para os capacitores com dielétrico de Policarbonato, cuja produção desde 2000 foi drasticamente reduzida.

Além de suas excelentes propriedades elétricas, os capacitores de filme PPS podem resistir a temperaturas de até 270°C sem prejudicar a qualidade do filme. Os capacitores de filme PPS até possuem versão SMD e pode tolerar o aumento da temperatura de solda por refluxo para solda sem chumbo exigida pela norma RoHS 2002/95/EC.

O custo de um capacitor de filme PPS é geralmente maior em comparação com um capacitor de filme PP.


Como saber o polímero utilizado


Muitos capacitores de plástico podem vir com um destes códigos apresentados abaixo. Eles indicam os polímeros utilizados e se o capacitor é metalizado ou não-metalizado.

Tabela 1 - identificação do polímero utilizado nestes capacitores


Complementando o tópico


Polímeros termoplásticos como Poliimida (PI), Poliamida (PA), Fluoreto de polivinilideno (PVDF), Siloxano, Polissulfona (PEx) e Poliéster Aromático (FPE) são descritos na literatura técnica como possíveis filmes dielétricos para capacitores. A principal razão para considerar novos materiais de filme para capacitores é a relativa baixa permissividade de materiais comumente usados. Com uma maior permissividade, os capacitores de filme poderiam ser ainda menores, uma vantagem no mercado para dispositivos eletrônicos portáteis mais compactos.

Em 1984, uma nova tecnologia para capacitores de plástico que utiliza materiais de acrilato reticulado com feixe de elétrons depositado a vácuo como dielétrico foi anunciada. Mas, a partir de 2012, apenas um fabricante comercializava um capacitor específico de filme de acrilato SMD.

Poliimida (PI), um polímero termoplástico de monômeros de imida, é proposto para capacitores de filme chamados capacitores Polyimide, também chamados de Kapton. Kapton é o nome comercial da poliimida da DuPont. Este material é interessante pois sua resistência a altas temperaturas é de até 400°C. Mas a partir de 2012, não foram anunciados capacitores com este tipo de material.

O fluoreto de polivinilideno (PVDF) tem uma permissividade muito alta, entre 18 a 20, o que permite que grandes quantidades de energia sejam armazenadas em um pequeno espaço (eficiência volumétrica). No entanto, tem uma baixa resistência a temperatura, cerca de apenas 60°C, o que limita sua usabilidade. Capacitores de filme plástico de PVDF são utilizados em aplicações especiais, tipo desfibriladores portáteis.

Para todos os outros materiais plásticos previamente nomeados, tais como PA, PVDF, Siloxane, PEx ou FPE, não se sabe ao certo que séries específicas de capacitores com esses tipos de materiais plásticos são produzidos em quantidades comerciais a partir de 2012.


Mas o que são polímeros? Quais suas características? Pra entende-los melhor recomendo a leitura do artigo "Borrachas e Plásticos - O que são? - Parte 1" disponível no Hardware Central!


Comparação de características de alguns filmes plásticos aplicados em capacitores

Tabela 2 - Características de polímeros utilizados como dielétricos de capacitores

O exemplo a seguir descreve um fluxo de processo de fabricação típico para capacitores de filme plástico metalizado.


→ 1. Alongamento e metalização do filme: Para aumentar o valor de capacitância do capacitor, o filme plástico é desenhado usando um processo especial de extrusão de alongamento bi-axial em direções longitudinal e transversal, tão fino quanto tecnicamente possível e permitido pela tensão de ruptura desejada. A espessura desses filmes pode ser tão pequena quanto 0,6 µm. Em um sistema de evaporação adequado e sob condições de alto vácuo o filme plástico é metalizado com Alumínio ou Zinco. É então enrolado no chamado "rolo-mãe" com uma largura de cerca de 1 metro;


→ 2. Corte de filme: Em seguida, os rolos-mãe são cortados em pequenas tiras de filme plástico na largura necessária de acordo com o tamanho dos capacitores que estão sendo fabricados;


→ 3. Enrolamento: Dois filmes são enrolados juntos em um enrolamento cilíndrico. Os dois filmes metalizados que compõem um capacitor são enrolados levemente deslocados um do outro, de modo que, pela disposição dos eletrodos, uma borda da metalização em cada extremidade do enrolamento se estende lateralmente (tudo isso foi explicado no tópico "Como Funciona");


→ 4. Achatamento: O enrolamento geralmente é achatado em uma forma oval, aplicando pressão mecânica. Como o custo de uma placa de circuito impresso é calculado por milímetro quadrado, um tamanho menor de capacitor reduz o custo total do circuito;


→ 5. Aplicação da camada de contato metálico ("schoopage"): Os eletrodos terminais são cobertos com um metal de contato liquefeito como por exemplo estanho, zinco ou alumínio, que é pulverizado com ar comprimido em ambas as extremidades laterais do enrolamento. Este processo de metalização é chamado de schoopage por causa do engenheiro suíço Max Schoop, que inventou uma aplicação de spray de combustão para estanho e chumbo;


→ 6. Cura: Os enrolamentos que agora estão eletricamente conectados pelo schoopage devem ser "curados". Isso é feito aplicando-se uma tensão precisamente calibrada através dos eletrodos do enrolamento, de modo que quaisquer defeitos existentes sejam "queimados" através da auto-cura, característica dos capacitores de filme plástico com alumínio vaporizado (explicado no tópico "Como funciona" lá do início do texto);


→ 7. Impregnação: Para maior proteção do capacitor contra influências ambientais, especialmente umidade, o enrolamento é impregnado com um fluido isolante, como o óleo de silicone;


→ 8. Fixação dos terminais: Os terminais do capacitor são soldados nas camadas de contato de metal que foram aplicadas no processo schoopage;


→ 9. Revestimento: Depois de anexar os terminais, o corpo do capacitor é envasado em um invólucro externo ou mergulhado em uma camada protetora. Pode ser utilizado poliepóxido ou polímero de cristal líquido (LCP). Para custos de produção mais baixos, alguns capacitores de filme podem ser usados "nus", sem revestimento adicional do enrolamento;


→ 10. Teste elétrico: Todos os capacitores devem ser testados quanto aos parâmetros elétricos mais importantes, como por exemplo capacitância (C), fator de dissipação (tan δ) e impedância (Z).

Diagrama 3 - Diagrama do processo de produção dos capacitores de plástico

A produção de capacitores de plástico não metalizados é feita de maneira muito semelhante.

Como uma alternativa à construção tradicional de capacitores de plástico, eles também podem ser fabricados em uma configuração “empilhada”. Para esta versão, os dois filmes metalizados que representam os eletrodos são enrolados em um núcleo muito maior com um diâmetro de mais de 1 m. Os chamados capacitores multicamadas (MLP - Multilayer Polymer Capacitors) podem ser produzidos pela serração desse grande enrolamento em vários segmentos menores. A serra causa defeitos nos lados colaterais dos capacitores, que depois são queimados (autocura) durante o processo de fabricação. Capacitores de plástico metalizado de baixo custo para aplicações de uso geral são produzidos desta maneira.

Capacitores plásticos usavam o mesmo método de identificação de resistores, isto é, uma sequência de listras que significavam os valores do componente, por isso que antigamente eles eram chamados de capacitores "zebrinha". Veja a ordem das cores no desenho abaixo:

As listras do capacitor de plástico

Imagem 5


Veja abaixo, a tabela de cores para capacitores plásticos:

Tabela 3


O valor da faixa 1 e da faixa dois devem ser concatenados. A faixa 3 é a quantidade de zeros após o número, a faixa 4 é a tolerância e a faixa 5 a tensão de ruptura.

Atualmente eles são marcados com alguns códigos e os valores de capacitância e tensão diretamente em sua carcaça. Veja imagens destes capacitores abaixo:

Capacitores plásticos atualmente

Imagem 6


O capacitor de cor amarela é de 680 nanoFarads e 275 Volts. O capacitor de cor azul é de 220 nanoFarads e 275 Volts e o capacitor alaranjado é de 0,1 microFarads a 250 Volts.

Muitos capacitores também possuem um símbolo de tolerância impresso no invólucro. Veja abaixo a tabela com os respectivos símbolos:

Tabela 4 - Tolerância de capacitores de plástico


Capacitores de poliéster

Imagem 7


Os capacitores acima, são de 100 nanoFarads e 65 Volts. É válido lembrar que a cor dos capacitores plásticos não influência na capacitância, cada marca pode pintar os capacitores de qualquer cor. Existem capacitores verdes, marrons, vermelhos, azuis, roxos, amarelos, enfim, uma infinidade de cores.


Para complementar raciocínio, os capacitores plásticos estão entre os mais fáceis de se identificar.

Como você pode ver, existem vários materiais plásticos que são utilizados em capacitores. Eles são os substitutos dos capacitores de papel, possuem tamanhos maiores que o comum e abrangem uma ampla faixa de capacitância, mas seu uso não é aconselhável em circuitos que operam em altas frequências.

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CRÉDITOS e FONTES

Texto, imagens e gráficos: Leonardo Ritter

Fontes: UFPR (Universidade Federal do Paraná); Unioeste (Universidade do Oeste do Paraná); Grupo Alternativo de Carga Pesada (site); PowerGuru; TecnoGera; Wikipedia (somente artigos com fontes verificadas!).

Última atualização: 21 de Abril de 2021.

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