• Leonardo Ritter

Excepcional: Fusível, Termofusível, Fusistor e PPTC

Atualizado: Set 28

O artigo desta semana é sobre o fusível e o fusistor.

Fusíveis

Imagem 1


O HC vai mostrar alguns detalhes e diferenças sobre estes dois componentes eletrônicos muito populares.

O fusível é um componente eletrônico cuja função é proteger o circuito de sobrecargas de corrente e Curto-Circuito, evitando que outras peças e fios sejam danificados ou até mesmo peguem fogo, provocando um problema muito mais grave.

Internamente, o fusível é composto por um fio ou uma lâmina (ambos podem ser chamados de “elo fusível”) de liga metálica de baixo ponto de fusão, isto é, que derrete com uma certa facilidade quando se sobe a temperatura. Devido à esta característica, quando o fluxo de elétrons ultrapassa o limite suportado por este fio ou lâmina, ele se rompe, abrindo o circuito e interrompendo o funcionamento do mesmo. Observe o fio presente no fusível abaixo:

Fusível comum

Imagem 2


Perceba que o fio está dentro de uma cápsula de vidro com suporte há altas temperaturas e com extremidades feitas de um metal com alto ponto de fusão, tudo para que apenas o fio se rompa, sem causar danos externos ao componente.

Mas o que temperatura tem a ver com corrente elétrica? Simples! Isto pode ser explicado pelo Efeito Joule, algo muito comum na eletrônica!

EFEITO JOULE

“A corrente elétrica aplicada num filamento o sobrecarrega, isto é, os elétrons tem dificuldade em passar pelo condutor e acabam colidindo com os átomos que estão se agitando. Parte da energia cinética (energia do movimento) dos elétrons circulantes é transferida para o átomo, que aumenta seu estado de agitação, consequentemente deixando o filamento cada vez mais quente. A colisão entre os átomos se agitando faz com que o corpo fique cada vez mais quente.

Lembrando que, o Oxigênio colabora para a combustão do corpo, que já está muito quente.”

Trecho retirado dos artigos “Cap. 02. Circuitos elétricos - Condutores e Isolantes” e “Cap. 01. Circuitos elétricos - Corrente, Resistência, Tensão e Potência”.

A Lei de Joule pode ser expressa por:

Onde:

> Q: Calor gerado por um fluxo de corrente elétrica constante durante um determinado tempo;

> I: O fluxo de corrente que percorre o condutor elétrico;

> R: Resistência elétrica do condutor/

> T: Intervalo de tempo em que houve circulação de corrente elétrica.

Para entender a Lei de Joule, precisamos também ter uma noção do que é Trabalho.

Um Joule é o trabalho realizado para transportar 1 Coulomb de um polo ao outro que possui uma diferença de potencial de 1 Volt. Lembrando que, Coulomb é a unidade de medida para carga elétrica, e Volt é a unidade de medida para tensão elétrica.

A fórmula matemática simples que pode definir trabalho é mostrada abaixo:

Onde:

> W: Trabalho realizado;

> Q: Carga elétrica, em Coulomb;

> T: Tensão elétrica entre os polos.

A energia elétrica que se transforma em energia térmica é diretamente proporcional à resistência elétrica (medida em Ohms), ao quadrado da corrente que o percorre e ao tempo em que houve fluxo de corrente. Esta lei pode ser mostrada na equação abaixo:

Onde:

> W: É o trabalho realizado, sendo neste caso, a energia dissipada por Efeito Joule;

> R: Resistência elétrica, em Ohms;

> I: Intensidade do fluxo de corrente elétrica, em Amperes;

> T: Período de tempo em que houve o fluxo de corrente.

CARACTERÍSTICAS DOS FUSÍVEIS

Quando a corrente ultrapassa o limite, a temperatura máxima suportada pelo fio é imediatamente ultrapassada, fazendo com que o metal derreta.

Quando se trata do tempo de ação do fusível, isto é, o tempo que ele leva para derreter após uma sobrecarga ou um curto-circuito, o diâmetro do fio ou lâmina metálica é essencial para determinar quantos milésimos de segundos vão passar até que ele entre em colapso para proteger as outras peças. Por isso que existem fusíveis de “ação rápida”, indicados para correntes de Curto-Circuito, e os “retardados”, indicados para correntes de Sobrecarga.

Abaixo, a descrição de algumas características dos fusíveis:

-> Corrente nominal: É o valor de corrente que o fusível foi projetado para suportar sem se fundir. Esse valor de corrente é expresso no corpo do fusível e é de fácil compreensão.

-> Corrente de ruptura: É o valor máximo de corrente que o fusível pode atingir e se romper;

-> Corrente convencional de atuação: É o valor de corrente que provoca a ação do fusível dentro de um determinado período de tempo.

-> Curva característica: Serve para mostrar o tempo necessário para o fusível entrar em ação em relação à quantidade de corrente circulante.

-> Elo fusível: O tempo que o fio ou lâmina leva para se fundir é proporcional a corrente aplicada e da inércia térmica do material que constitui o Elo, que em muitos Fusíveis pode ser Chumbo ou Cobre recoberto de Zinco.

CURIOSIDADE: Leia este pequeno texto sobre Inércia Térmica:

"Podemos fazer uma analogia à mecânica:

Um corpo parado em algum lugar, tende a ficar parado caso nenhuma força externa seja aplicada a ele. Já um corpo em movimento, tende a permanecer em movimento após uma força o movimenta-lo. A inércia é a tendência de um corpo em manter seu estado inicial, de repouso, ou seu estado final, de movimento.

O estado inicial, isto é, um corpo parado, imóvel, só pode ser alterado se uma força for aplicada a ele, uma força externa, já o estado final de movimento, é quando a força já foi aplicada, e o objeto tende a se mover e manter o estado de movimento, parando apenas por questões de atrito ou por uma outra força externa maior.

A Terra mantém seu movimento sobre si (um movimento de rotação), que é um movimento inercial. Se a Terra parasse seu movimento de rotação neste exato momento, todos os corpos presentes no planeta tenderiam a continuar o movimento e seriam ejetados para o espaço!

Um automóvel, ao colidir numa parede por exemplo, é parado instantaneamente, enquanto que os passageiros tendem a manter o movimento e serem ejetados para fora. Por este motivo que o cinto de segurança é uma ótima invenção.

Quando se trata de inércia térmica, temos a absorção de calor, que pode ser alta ou baixa dependendo do material e do volume que ele ocupa. Materiais como por exemplo o Estanho, derretem com facilidade pois absorvem calor de forma muito rápida, isto é, possuem uma baixa inércia térmica. Com o elo do fusível deve ocorrer a mesma coisa, isto é, ele deve chegar ao seu limite de temperatura e se romper bastando-se do excesso de corrente elétrica que flui durante um curtíssissimo período de tempo."

O Que é Curto-Circuito? Falamos tanto de Fusíveis, mas um termo comum e que provavelmente muitos não tem um conhecimento grande é o tal do "Curto-Circuito". Observe a explicação abaixo, retirada do artigo “Cap. 01. Circuitos elétricos - Corrente, Resistência, Tensão e Potência”:

"Um curto-circuito é quando a resistência do circuito é igual a zero, e quando isso acontece a corrente tende a ser infinita, pois neste caso qualquer número dividido por zero gera um valor infinito. Se você colocar um fio de Cobre no polo positivo e outro no polo negativo de uma fonte de energia e interliga-los, isso gerará um curto circuito e a corrente infinita acabará danificando os fios."

TIPOS DE FUSÍVEIS

Existem vários formatos de fusíveis. Os principais vão ser detalhados abaixo!

-> Fusível de vidro: Está presente em fontes de PC e diversos outros aparelhos comuns no nosso cotidiano. Este é o tipo de fusível mais comum e é mostrado na imagem abaixo:

Imagem 3


O Fusível de vidro possui este nome pois o elo fusível está envolvido num invólucro de vidro protetor bastante resistente, e seus terminais em forma de caneco podem ser encaixados num soquete específico na PCB.

Este fusível pode ter um terminal fixado em cada caneco, permitindo que o mesmo seja soldado diretamente na PCB.

O Valor de corrente nominal vem especificado na carcaça e pode ser entendido facilmente.

-> Mini-Fusível: Este é bastante encontrado no compartimento de fusíveis de automóveis. Veja a imagem abaixo.

Imagem 4


São pequenas peças com dois terminais laminados e um invólucro plástico que pode assumir diversas cores, sendo que cada cor representa características diferentes do componente. Na Imagem 4 você pode ver um desenho detalhado de um Mini-Fusível com o elo fusível rompido.

> Fusível JCase: Fusíveis comumente encontrados em automóveis. Veja a imagem abaixo:

Imagem 5


Possuem versões de Perfil Baixo e Standard, conector fêmea centralizado, invólucro plástico bastante resistente e disponibilizado em várias cores de carcaça, cada cor representando características diferentes.

Um dos pontos positivos é o maior tempo de atraso e a baixa queda de tensão.

CLIQUE AQUI e veja um PDF com outros tipos de fusíveis, sendo que alguns deles são menos populares ou até mesmo obsoletos.

O fusível térmico protege o circuito das temperaturas muito elevadas, que também podem prejudicar e até mesmo causar grandes problemas num equipamento.

Um fusível térmico possui como componente principal uma Cera Térmica eletricamente isolada. Sob esta Cera, uma mola de contato apoiado contra um contato fixo. Todo este conjunto se mantém desta forma durante temperaturas normais de funcionamento. Quando a temperatura limite predefinida é atingida, a base de Cera se liquefaz (derrete), a mola cede, desfazendo o contato elétrico do Fusível Térmico e abrindo o circuito. Veja o diagrama abaixo:

Diagrama 1 - como funciona o Fusível Térmico. No desenho "2" a cera está sólida e no desenho "3" os contatos estão abertos e a cera derretida


No diagrama 1 é possível ver um esboço do modelo mais comum de construção de um Termo Fusível. Porém existem outros métodos de construção, como é possível ver na imagem abaixo:

Diagrama 2 - Termo Fusível em formato radial com construção interna diferente


Observe o Diagrama 2 e note que o Termo Fusível possui um invólucro de fenolite ou baquelite (que aguentam temperaturas muito altas) e um selante de poliepóxido, que também suporta altas temperaturas. Os Termo Fusíveis axiais são feitos com um encapsulamento metálico ou cerâmico. Veja a imagem abaixo:

Imagem 6 - Os principais tipos de Termo Fusíveis


Na Imagem 6 estão os três tipos principais de Termo Fusíveis disponíveis no mercado identificados como "A", "B" e "C".

-> "A": É o modelo radial, geralmente com encapsulamento feito de resinas poliméricas. Normalmente é projetado para funcionar com correntes de até 5 Amperes.

-> "B": É o modelo axial, talvez o mais comum do mercado. Possui um encapsulamento metálico com um selante em uma das pontas e geralmente é feito para operar com correntes que variam entre 5 A e 15 A.

-> "C": Outro modelo axial, só que com encapsulamento feito em cerâmica e apto a trabalhar com correntes acima dos 15 Amperes.


CURIOSIDADE: É comum encontrar Fusíveis Térmicos com seus terminais crimpados ou parafusados no circuito. Isso se deve ao risco de dano ao componente por causa calor gerado no momento da solda. Ele pode ser soldado, porém deve ser algo bem planejado, utilizando fluxo de solda e bastante cuidado para não condensar calor no componente.


O Fusível Térmico é um componente barato e eficiente na proteção do superaquecimento de equipamentos diversos. Até mesmo dentro de motores elétricos é possível encontrar um componente destes, como você pode ver na imagem abaixo:

Imagem 7


O Fúsivel Térmico pode ser encontrado dentro de air friers, ferros de passar roupas, panelas elétricas, fornos elétricos, fornos micro-ondas, aspiradores de pó e ventiladores, além de vários outros equipamentos.

Na mecânica automotiva é possível encontrar Fusíveis Térmicos nos circuitos de controle da ventilação. Para os veículos que possuem ar condicionado é comum haver geralmente dois estágios de rotação do eletroventilador. No primeiro estágio há um resistor de alta potência (aquece muito) gerando uma queda de tensão sobre o motor elétrico. Mesmo havendo circulação de ar, há um Termo Fusível protegendo o circuito contra incêndios. Veja a imagem abaixo:

Imagem 8 - Observe o Fusível Térmico por baixo do resistor verde. Os dois componentes eletrônicos são ligados em série


Já na cabine do veículo, há um ventilador responsável por distribuir ar pelos dutos e difusores do habitáculo. Os ocupantes do veículo podem ajustar a rotação deste ventilador através de um botão no painel do veículo. Geralmente são 4 velocidades, necessitando também de resistores para gerar a queda de tensão da ventoinha, Apesar destes resistores receberem ar do próprio ventilador, há um ou mais Termo Fusíveis (depende do projeto) para proteger o circuito de incêndios. Veja a imagem abaixo:

Imagem 9 - Observe a existência de três Fusíveis Térmicos no circuito acima


Quando um fusível térmico entra em ação, ele não pode ser restaurado, e assim como um fusível comum, deve ser substituído por um de características idênticas. Não é recomendado substituir um Termo Fusível por um fusível comum ou um fusistor. O Fusível Térmico está ali pra prevenir incêndios, abrindo o circuito durante um super aquecimento.

O Fusistor, também chamado de Pico-Fusível e Chip-Fusível, é outro método de proteção de circuitos, mas de forma nenhuma pode ser confundido com o Fusível: são componentes bastante diferentes!

O Fusistor "original" é constituído por um resistor de baixa resistência elétrica, um ponto de solda e uma mola metálica. Quando a corrente ultrapassa o limite do resistor, o excesso de temperatura gerado faz com que a solda derreta antes do resistor entrar em curto, pois ela também é uma liga metálica com um baixo ponto de fusão. Com a solda derretida, a mola empurra o resistor, abrindo o circuito. Veja nos desenho abaixo, a ideia de funcionamento do do Fusistor:

Fusistor em condições normais de funcionamento

Diagrama 3


Agora, observe o que acontece com o Fusistor após um curto-circuito:

Fusistor em ação

Diagrama 4


Se o resistor for empurrado novamente para o lugar e um novo ponto de solda for feito, o Fusistor pode voltar à vida e proteger o circuito novamente.

Os Fusistores mais atuais, chamados de Pico-Fusível ou Chip-Fusível, tem um funcionamento diferente: o excesso de corrente é transformado em energia térmica e ou luz, depende do modelo e da aplicação também!

Na imagem abaixo, um Pico_Fusível em formato axial:

Pico -Fusível

Imagem 10


Perceba na imagem abaixo, que eles são bastante semelhantes com os resistores axiais:

Pico-Fusíveis e resistores

Imagem 11


Obviamente, estes componentes possuem um limite de dissipação, e após este limite ser ultrapassado, o componente dá sua vida pelos demais e então o circuito é aberto.

Normalmente, o valor de corrente nominal de um Pico-Fusível é informado na carcaça do componente, de forma quase sempre legível.

Observe o diagrama abaixo, simbolizando o funcionamento de um Pico-Fusível:

Diagrama de funcionamento do Pico-Fusível

Diagrama 5


Analisando algumas placas de vídeo, é possível notar um Chip-Fusível na linha de tensão de 12 Volts do slot PCI Express. Este pequeno componente em formato SMD deve ter uma resistência elétrica menor que a das trilhas, pois caso dê algum curto-circuito na placa, quem será prejudicado é ele.

Chip-Fusível numa placa de vídeo

Imagem 12


Observe que o Chip-Fusível SMD possui valor "0" marcado em sua carcaça.

No caso dos Chip-Fusíveis, o número mostrado em cima do componente pode ser um pouco confuso.

-> Quanto menor o valor marcado, maior a resistência do componente;

-> Quanto maior o valor marcado, menor a resistência do componente.

Um Fusistor na entrada de energia impede que um curto-circuito danifique componentes mais complexos e até mesmo as trilhas da PCB, só que ao trocar um Fusistor queimado, deve se observar atentamente suas características e as características do circuito.

Caso o curto-circuito afete e rompa as trilhas da PCB, dificilmente a placa poderá ser recuperada, pois são trilhas muito finas e em várias camadas da placa, por isso que um Chip-Fusível faz toda a diferença.

DETALHE: Assim como no Fusível, o coeficiente do Fusistor é a corrente elétrica, diferente do Fusível Térmico, em que o coeficiente é a temperatura!

EXEMPLO:

Podemos usar uma placa de vídeo como exemplo:

Suponha que, um determinado modelo de chip gráfico necessite de 50 amperes para funcionar com os clocks e configurações internas em Default.

As trilhas de todo o circuito de alimentação do chip gráfico são feitas para suportarem uma corrente maior que essa. Para que não haja problemas de sobrecarga nos condutores da PCB, normalmente as trilhas suportam cerca de o dobro da corrente máxima extraída pela GPU. Neste exemplo então, as trilhas do PCB suportarão uma corrente de 100 amperes.

O Fusistor deve estar entre estes valores: ele não poderá exceder os 100 amperes, pois a partir deste valor ele não terá mais efeito no circuito, mas também não poderá estar abaixo dos 50 amperes, pois abaixo disso ele limitará todo o circuito de alimentação, e consequentemente a GPU, que poderá ficar instável.

Como se trata de uma placa de vídeo, o overclock é algo que está no sangue da maioria dos gamers, e quando se aumenta os valores de clock do chip gráfico, deve se aumentar também a alimentação elétrica, para que não haja instabilidades, portanto, o Fusistor deve estar entre a corrente necessária para o funcionamento do VRM do processador gráfico e a corrente máxima suportada pelas trilhas da PCB, isto é, neste exemplo o Fusistor deve estar na faixa de suporte há 75 Amperes.

EXEMPLO2:

Utilizando-se do Exemplo 1: E se, no lugar do Fusistor, fosse colocado um Fusível?

O Fusível possui um limite de corrente elétrica, a partir desse limite ele simplesmente se romperia e a placa deixaria de funcionar. Um Chip-Fusível ou um Pico-Fusível não faz isso. Não é recomendado a substituição de um Fusistor por um Fusível comum.

Outro tipo de componente “protetor de circuitos" é o PPTC. Funciona de forma muito semelhante ao Fusistor.


PPTC é a sigla para “Polymeric Positive Temperature Coefficient”, que em bom português significa “Polímero com Coeficiente de Temperatura Positivo”. Este nome lembra o Termistor PTC.

Pois bem, o PPTC é uma versão aprimorada do Termistor PTC que serve para proteger circuitos de sobre-corrente elétrica. Da mesma forma que ocorre com o fusistor, o PPTC não se danifica e não precisa ser substituído tão facilmente.


Os PPTCs podem ser encontrados tanto em encapsulamento SMD (Surface Mounting Device) quanto em formato PTH (Pin Through-Hole).


Veja a imagem de PPTCs SMD abaixo:

Imagem 13 - Fusíveis rearmáveis em encapsulamento SMD

Veja abaixo PPTCs em formato PTH:

Imagem 14 - Polyfuses em formato PTH


Um dispositivo PTC polimérico é feito de um bloco de polímero orgânico cristalino não condutor que é "misturado" com partículas de negro de fumo. Esse negro de fumo o torna condutor.

Enquanto frio, o polímero está em um estado cristalino, com o Carbono forçado para as regiões entre os cristais, formando muitas cadeias condutoras. Por ser condutivo em sua "resistência inicial" passará uma pequena quantidade de corrente elétrica.

Se muita corrente for aplicada no dispositivo, ele começará a aquecer. À medida que o dispositivo aquece, o polímero se expande, mudando de um estado cristalino para um amorfo (um estado sem organização espacial das moléculas, sem forma geométrica definida). A dilatação separa as partículas de Carbono e quebra as vias condutoras, fazendo com que o dispositivo aqueça mais rápido e se expanda mais, aumentando ainda mais a resistência elétrica. Este aumento na resistência reduz substancialmente a corrente no circuito. Uma pequena corrente ainda flui através do dispositivo e é suficiente para manter a temperatura em um nível que o manterá no estado de alta resistência.

Essa pequena corrente, também chamada de "corrente de fuga" pode variar de menos de cem mA na tensão nominal até algumas centenas de mA em tensões mais baixas.


A "corrente de retenção" é a corrente máxima na qual o dispositivo tem garantia de não desarmar.

A “corrente de desarme” é a corrente na qual o dispositivo tem garantia de desarmar.


O valor da corrente de retenção fica em torno da metade da corrente de desarme, segundo a tabela de dados da série de PPTCs "30R" criados pela LittelFuse e mostrada na Tabela abaixo:

Tabela 1 - Algumas especificações da linha 30R da LittelFuse


Veja abaixo a definição de cada coluna da Tabela 1:

-> 1. Faixa de corrente em que o dispositivo não vai disparar, desde que esteja em temperatura ambiente de 20 ° C. Esta é a acorrente de retenção;

-> 2. Corrente mínima na qual o dispositivo desarmará desde que em temperatura ambiente de 20 ° C. Esta é a corrente de desarme;

-> 3. Tensão máxima que o dispositivo pode suportar sem danos desde que opere em corrente nominal;

-> 4. Corrente máxima que o dispositivo pode suportar sem danos desde que opere em tensão nominal;

-> 5. Energia dissipada pelo dispositivo quando no estado desarmado e sob temperatura ambiente de 20 ° C.


Dependendo do fabricante ou da série de componentes, pode ter variações, como por exemplo um PPTC com corrente de retenção de 1,5 A e uma corrente de desarme de 4,0 A, como é possível ver na Tabela 2 e Tabela 3 com especificações de PPTCs da Tyco Eletronics:

Tabela 2 - Algumas especificações da série AGRF da Tyco



Tabela 3 - Algumas especificações da série ASMD da Tyco


Veja abaixo a definição de cada coluna da Tabela 2 e 3:

-> Faixa de corrente em que o dispositivo não vai disparar, desde que esteja em temperatura ambiente de 25 ° C. Esta é a acorrente de retenção;

-> Corrente mínima na qual o dispositivo desarmará desde que em temperatura ambiente de 25 ° C. Esta é a corrente de desarme;

-> Tensão máxima que o dispositivo pode suportar sem danos desde que opere em corrente nominal;

-> Corrente máxima que o dispositivo pode suportar sem danos desde que opere em tensão nominal.


Quando a energia é cessada, o aquecimento devido à corrente de fuga irá parar e o dispositivo PPTC terá a temperatura reduzida para o valor do ambiente. Conforme o dispositivo esfria, o polímero retrai e retorna a um estado de baixa resistência, onde poderá manter a corrente conforme especificado para o dispositivo. Esse resfriamento geralmente leva alguns segundos, embora um dispositivo desarmado talvez retenha uma resistência um pouco mais alta por algumas horas.


Resumidamente, quando está na temperatura ambiente o PPTC funciona como um condutor dentro da especificação de alimentação de corrente do dispositivo. Com um surto de corrente o componente esquenta, ao esquentar sua resistência aumenta, diminuindo a corrente fornecida para o circuito e o protegendo. Após esfriar, sua resistência cai e ele volta ao seu estado inicial.


CURIOSIDADE: A temperatura ambiente é crucial para definir o funcionamento de um PPTC. Quanto maior a temperatura ambiente, menor será a corrente de retenção, isto é, o PPTC irá desarmar mais cedo. Na Tabela 4 vemos os valores de corrente de retenção da série 30R da LittelFuse para várias faixas de temperatura ambiente:

Tabela 4 - A variação de temperatura ambiente influi na corrente de retenção


CURIOSIDADE: Negro de fumo também é chamado de "Negro de Carbono" ou "Pó de sapato". O Negro de Carbono é um material essencialmente constituído por Carbono elementar sob forma de partículas aproximadamente esféricas, de diâmetro máximo inferior a 1µm, aglutinadas em agregados.


CURIOSIDADE: O PPTC foi patenteado em 1939 por Gerald Pearson, da Bell Labs e pode ser definido como sendo um fusível ressetável ou rearmável, pois no momento que a sobre-corrente desparece, ele volta a sua condição normal.


CURIOSIDADE: O PPTC também é conhecido como “Polyfuse”, “Polyswitch” e “Multifuse”. A Tecno, Bourns e Littelfuse estão entre as maiores fabricantes destes fusíveis rearmáveis.


A simbologia e a curva característica do PTC pode ser vista no artigo “Capítulo 1.5. Os componentes: Termistor“.


Um PPTC deve ser ligado em série com os dispositivos que ele deve proteger.

Um bom exemplo de aplicação dos PPTCs é na interface PS/2 para mouse e teclado, muito utilizada em PCs. Ao conectar ou desconectar um mouse ou teclado com o PC ligado, um surto momentâneo de corrente poderia ocorrer, danificando o controlador PS/2. O risco de dano foi reduzido adicionando um Polyfuse na linha +VCC de cada porta PS/2.

Hoje a interface PS/2 foi substituída pela interface USB, que também pode ter um Polyfuse em cada porta para proteger o controlador e o periférico a ser conectado ou desconectado de surtos de corrente.


Para saber mais sobre a interface PS/2, das trilhas da placa ao protocolo de comunicação, leia o artigo “Hardware – A Interface PS/2”.

No manual de usuário de praticamente todos os veículos é possível encontrar informações sobre a localização e os tipos de fusíveis utilizados. Disponibilizamos o manual do Chevrolet Onix 2013 neste artigo, e para acessá-lo basta CLICAR AQUI!

E Este foi mais um artigo completão do Hardware Central! Como você pode ver, um simples fusível pode envolver dezenas de termos, características, tipos e várias outras coisas!


Se tu sabes mais alguma coisa sobre estes componentes ou deseja mandar uma correção, sugestão ou crítica, entre em contato pelo e-mail hardwarecentralr@gmail.com

FONTES e CRÉDITOS:

Texto: Leonardo Ritter

Imegens: Leonardo Ritter; Google imagens.

Fontes: Manual de Usuário do Chevrolet Onix 2013; Saber Elétrica; Mundo da Elétrica; Sala da Elétrica; Instituto Newton C. Braga; ADD Therm; Canal do You Tube "ElectroLab"; Canal do You Tube "Astronauta de Quintal"; Wikipédia (Somente artigos com fontes verificadas!).


Última atualização: 27 de Setembro de 2021.

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