• Leonardo Ritter

Hardware - Controle dos FAN's

Este artigo é dedicado à explicar sobre o controle de rotação e monitoramento do RPM das ventoinhas presentes em placas-mãe de desktop e notebook!

Para que tudo funcione sem pegar fogo, é essencial o uso de sensores de temperatura e também de ventoinhas. Por este motivo que nas placas de desktop e notebook há um complexo circuito de controle, com direito a tacômetro e diodo térmico.

Vamos começar pela Intel Corporation e seu padrão de cooler BOX!

Os coolers BOX da Intel para socket LGA775 e superiores possuem 4 fios, cada um com uma cor padronizada. Veja abaixo, a imagem de um conector para cooler em uma placa-mãe para processador Intel:

Próximo destes conectores pode estar serigrafado "CPU_FAN".

A tabela abaixo mostra o conector e a utilidade de cada fio com sua respectiva cor:

A grande maioria dos AirCoolers fabricados por outras empresas podem ser compatíveis com este conector CPU_FAN da Intel!

Como você pode ver, o conector onde é plugado o cooler também possui um fio de controle, onde é mandado um sinal PWM vindo do respectivo pino do Super I/O. Se você acha que no cooler há apenas um motor, está completamente errado! Há um amplificador, um controlador de motor DC Brushless e um sensor Hall. Veja a imagem da placa do motor abaixo:

Para ver o datasheet de um modelo semelhante ao amplificador utilizado no Cooler BOX da Intel, CLIQUE AQUI!

Abaixo, o diagrama do controlador do motor DC Brushless:

Apesar deste Cooler BOX da Intel ter surgido com o socket LGA 775 a mais de dez anos atrás, os processadores para sockets atuais vem com um sistema de refrigeração idêntico.

Para a Advanced Micro Devices, mais conhecida como AMD, temos um padrão parecido com o da Intel para Cooler BOX, com direito a tacômetro e controle de rotação. A principal mudança é a cor de cada fio. Veja a imagem de um conector para cooler em uma placa-mãe para processadores AMD:

Veja a pinagem do conector e as cores de cada fio:

O cooler BOX para processador AMD tem um circuito mais simples, onde há apenas um controlador de motor DC Brushless e o sensor Hall. Veja a imagem da placa do motor abaixo:

CLIQUE AQUI para ver o datasheet do controlador ON Semiconductor LB11961 responsável por controlar o motor, regulando e monitorando sua rotação.

Agora, compare os dois conectores, o da Intel e o da AMD:

A única diferença é a cor dos fios

Nas placas-mãe também é comum encontrar um conector onde está escrito "CHA-FAN" ou "SYS_FAN", ou seja, a ventoinha que deve ser parafusada em algum ponto da estrutura do gabinete. Algumas placas mãe suportam duas ventoinhas deste tipo. É um conector de 3 pinos e que não há controle de rotação, apenas tacômetro. Veja a imagem de um conector CHA-FAN em uma placa-mãe:

Veja a pinagem padrão dos conectores CHA_FAN:

Algumas placas-mãe como por exemplo a ECS AMD690GM-M2, há um conector CHA_FAN igual ao conector CPU_FAN. Isto não interfere em nada! Apenas o fio para controle de rotação se torna opcional na ventoinha que vai fixada na estrutura do gabinete, isto porque ela precisa apenas drenar o ar para dentro ou fora do gabinete, portanto pode ficar o tempo todo em velocidade máxima.

Para o CHA_FAN, apenas ligar uma linha de +12 Volts já é suficiente. O motor também é do tipo DC Brushless e há apenas o sensor Hall ligado direto ao fio 3.

Em algumas partes do texto, utilizamos a sigla PWM, que significa Pulse-Width Modulation (Modulação por Largura de Pulso) e é a partir dela que a tensão para a ventoinha é gerada. Como assim?

Para entender melhor isso, você deverá saber o que é frequência. Caso você não saiba, o HC tem um artigo sobre o assunto, basta CLICAR AQUI!

Se quiser saber sobre o clock em circuitos digitais, CLIQUE AQUI!

O PWM é uma onda quadrada numa determinada frequência. Alterando seu Duty Cicle, isto é, o tempo em que esta onda permanece em nível alto, podemos alterar a tensão final do circuito de alimentação. Veja o gráfico abaixo:

Veja o GIF abaixo, que também te ajudará entender isso:

Conforme alteramos o Duty Cycle, alteramos a tensão média e também alteramos a potência! Veja este outro GIF:

A linha azul subindo e descendo mostra que, conforme aumentamos a largura de pulso, aumentamos a tensão média.

No caso de uma placa-mãe de notebook ou desktop, quem gera este sinal PWM é o controlador dos FAN's presente no Super I/O, ou seja, quem gera este sinal é um microcontrolador. Em muitos Super I/O, a fabricante da placa-mãe programa até pinos GPI/O para funcionarem como PWM.

Para calcular a tensão média (Vm) de um sinal PWM qualquer, devemos saber a porcentagem do tempo em que a onda permanece em nível HIGH (alto) durante um ciclo - que também pode ser chamado de período - e multiplicar pela tensão em que o nível HIGH atinge (V).

Por exemplo, uma onda com um Duty Cicle de 50% no nível alto a uma tensão de +5V:

> Duty Cycle: 50% = 0,50

> Tensão do nível HIGH: 5 Volts

0.50 * 5 = 2,5 Volts, ou seja, a tensão média será de 2,5 volts, isto porque cada ciclo permanece 50% do tempo em nível alto e 50% do tempo em nível baixo (LOW).

Utilizando apenas algumas pecinhas, podemos controlar a tensão de saída de uma fonte de alimentação através de um sinal PWM. Podemos utilizar um amplificador operacional e um regulador de tensão, juntamente com alguns capacitores e resistores SMD, como é costumeiro nos circuitos de alimentação e controle de ventoinhas numa placa-mãe.

EXEMPLO 1: Plataforma Intel LGA775

Para tirar a curiosidade, eu peguei o circuito da placa-mãe Gigabyte GA-8I915P DUO Rev. 1.1 e liguei os pinos de controle e tacômetro de FAN nos respectivos conectores: CPU_FAN e CHA_FAN. Veja os pinos do Super I/O ITE8712:

Agora observe o circuito de alimentação para o conector CPU_FAN:

Perceba que o "FANPWM1", o "FANPWM3" e o "FANIO1" estão circulados em verde e que os respectivos pinos do ITE IT8712 estão marcados com uma linha verde.

Para este circuito há um amplificador operacional LM358. A entrada "FANPWM1" é ligada na entrada inversora do amplificador. Dependendo do Duty Cicle e da frequência desta onda, haverá uma determinada tensão na saída do amplificador. Na saída do amplificador há uma entrada de +12V e um regulador de tensão AP3310H. Há também um transistor PNP da Nexperia, modelo PBSS5240T. Ao final do circuito, tem-se a saída "CPUFAN VCC" que é ligada na linha de +12V do conector do cooler e também no "colector" do transistor, no "Drain" do regulador de tensão e na entrada não-inversora do amplificador operacional.

Veja também o diagrama dos dois conectores CHA_FAN presentes nesta placa:

Perceba que o pino "FANIO2" e "FANIO3" estão circulados em azul e que os respectivos pinos do ITE IT8712 estão marcados com uma linha também em azul.

Esta é a simples lógica de ligação do circuito controlador e monitor de rotação das FAN's presente no Super I/O ao circuito de alimentação dos conectores de ventoinha.

EXEMPLO 2: Plataforma AMD AM2

Nosso outro exemplo tem uma ECS AMD690GM-M2 Rev. 1.0A. Veja os pinos do Super I/O desta placa, um ITE IT8716F-L/DX:

Agora observe o circuito de alimentação para o CPU_FAN:

Perceba que o "FAN_PWM1", o "FAN_PWM3" e o "FAN_TAC1" estão circulados em verde e que os respectivos pinos do ITE IT8716F-L/DX estão marcados com uma linha verde.

Veja o circuito do conector CHA_FAN presente nesta placa:

Perceba que o pino "FAN_PWM2", "FAN_PWM4" e "FAN_TAC2" estão circulados em azul e que os respectivos pinos do ITE IT8716F-L/DX estão marcados com uma linha também em azul.

Veja que estes dois circuitos da ECS AMD690GM-M2 são análogos ao circuito da placa da Gigabyte, apesar das duas placas serem feitas para processadores de marcas diferentes. Há um amplificador operacional GS324SFS e a entrada inversora ligada na linha "FAN_PWM2" do Super I/O. A saída do amplificador ligada à base do regulador de tensão PNP da marca Hi-Sincerity modelo HI772. No emissor deste regulador, uma entrada de +12V. No coletor do HI772 ligado ao pino +12V do conector do cooler e também ligado a entrada não inversora do amplificador operacional.

EXEMPLO 3: Plataforma Intel LGA775

Peguei outra ECS, só que desta vez uma G41T-M2 Rev. 1.0, e nessa vi um circuito muito simples para controlar o CPU_FAN:

Perceba que há apenas uma linha de sinal PWM que é ligado diretamente ao conector para ventoinha. Não há um controle de alimentação elétrica implementado na placa-mãe. Perceba que, tanto o CPU_FAN quanto o SYS_FAN utilizam o mesmo conector de quatro pinos, ou seja, pode ser conectado uma ventoinha com controle de rotação via PWM ou não. Veja abaixo os pinos do Super I/O por onde passa os sinais PWM para as duas ventoinhas:

Veja que apenas 2 pinos PWM e dois pinos para controle de rotação são utilizados neste Super I/O.

EXEMPLO 4: Plataforma AMD AM2 / AM3

Agora, vamos para outro exemplo, desta vez com uma Gigabyte GA-M59SLI-S4 Rev. 1.01. O peculiar desta placa-mãe é que o CPU_FAN pode tanto ser controlado pelo PWM do Super I/O embutido no chipset nVidia MCP55 quanto pelo PWM do Super I/O dedicado. Veja o esquema elétrico de alimentação do CPU_FAN abaixo:

As peças notáveis deste circuito de alimentação para CPU_FAN são o amplificador operacional LM358DT e o regulador de tensão AP3310H.

Para esta placa-mãe temos um cooler de 40 mm fixo sobre o heatsink do chipset MCP55, que por suportar a tecnologia nVidia SLI acaba aquecendo mais do que o normal. Normalmente estes coolers para chipset não possuem sensor Hall, ou seja, não há monitoramento de rotação, apenas apresentam dois fios, o positivo e o negativo de energia, como você vê na imagem abaixo:

Observe que no circuito denominado "South Bridge FAN" há uma linha para sinal PWM ligada a um simples regulador de tensão, ou seja, quem controla a rotação de acordo com a temperatura do chipset é o circuito de alimentação do FAN.

Para acessar a documentação do regulador de tensão 2N7002, CLIQUE AQUI!

Para Acessar a documentação do transistor PMBT2907A, CLIQUE AQUI!

Placas-mãe como por exemplo, a DFI LANPARTY UT nF4 SLI-D possui sensor Hall na ventoinha sobre o chipset Ponte Sul, portanto há três pinos no conector, assim como no SYS_FAN.

Note que há dois conectores SYS_FAN, e estes sim, sem uma linha de sinal PWM, apenas com a linha "FANIO" para monitoramento de rotação através de um sensor Hall.

Como foi dito no início, tanto o chipset nVidia MCP55, quanto o Super I/O controlam o CPU_FAN. Veja abaixo os pinos do chipset que são ligados ao circuito de alimentação do conector:

Os pinos do MCP55 estão marcados em azul escuro e roxo.

Veja abaixo os pinos do Super I/O que são conectados ao circuito de alimentação de todos os conectores para ventoinhas:

Estão todos marcados em azul claro, cinza, marrom e vermelho.

Agora compare as marcações feitas no Super I/O e no MCP55 com as marcações feitas nos circuitos de alimentação das ventoinhas.

Exemplo 5: plataforma Intel LGA1155

Neste exemplo pegamos uma placa para processadores Intel mais atuais e vemos a semelhança com os circuitos anteriores. Esta é a placa-mãe Foxconn H61M06 Rev. Ah, e assim como na ECS G41T-M2 Rev. 1.0, há um circuito bem simplificado e o CPU_FAN e o SYS_FAN utilizam um circuito idêntico. Veja o diagrama abaixo:

Perceba que, de componente notável há apenas um diodo LS4148-F em cada circuito de alimentação.

Veja abaixo, o Super I/O, com encapsulamento diferente do comum: devido a obsolescência de vários circuitos presentes nele, as fabricantes vem utilizando um invólucro menor, com menor pinos, como é o caso deste ITE IT8772E/EX:

Atualmente, praticamente todas a placas de desktop e notebook vem com um Super I/O "menorzinho".

O objetivo deste artigo era apenas mostrar que os sistemas de refrigeração para placas-mãe são similares e controlados por um microcontrolador através de sinais PWM. É válido lembrar que, este sistema sofisticado de controle de rotação através de um controlador de motor DC Brushless embutido no motor, começou a ser utilizado a partir do socket Intel LGA775 e a partir do socket AMD PGA939 / PGA940. Antes destes modelos, na grande maioria das placas, o CPU_FAN tinha apenas três fios, sendo um deles para o tacômetro, e o controle de rotação era feito através de um sinal PWM no circuito de alimentação do FAN da placa-mãe.

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FONTES e CRÉDITOS

Imagens, diagramas e texto: Leonardo Ritter

Fontes: Biblioteca de datasheets e esquemas elétricos do Hardware Central.

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