• Leonardo Ritter

Óptica - Complemento sobre ecrãs e projetores

Atualizado: há 3 horas

Este é o complemento dos artigos relacionados aos projetores e televisores. O assunto é: os tipos de sinais que excitam os pixels da tela, a taxa de atualização de imagem e os padrões de resolução mais comuns do mercado!

Como foi visto em artigos anteriores, displays LCD, Plasma, LED e projetores são feitos de vários emissores de luz (ou "refletores", no caso dos chips DMD) conhecidos como pixels, dispostos em uma matriz.


CURIOSIDADE: Pixel é a abreviação de Picture Element, sendo que "Pix" é a abreviação de "picture" em inglês.

As telas possuem um formato, ou melhor dizendo, uma proporção. Esta proporção é independente do tamanho da tela (em polegadas) e da resolução dela. Abaixo, a lista de proporções utilizadas pela indústria:

Proporções de tela

Tabela 1


Nos monitores e televisores CRT, chips DMD antigos ou básicos a proporção mais utilizada é a 4:3. Durante o período de transição entre CRT e LCD também foi muito utilizada a taxa de proporção 4:3. Atualmente, a grande maioria de telas LED, LCD, 3LCD e chips DMD utilizam a taxa de proporção 16:9.

Monitores Gamer de alto desempenho e alguns televisores "super modernos" já utilizam proporção de 21:9. As outras taxas de proporção mostradas na tabela acima foram pouco utilizadas no mercado.

Proporções mais utilizadas nos dispositivos

Imagem 1 - Proporção de tela

Quando se trata de tamanho de telas, existe:

-> O tamanho do display, medido em polegadas

-> O tamanho máximo da imagem que pode ser reproduzida neste display, isto é, a quantidade de informação que este display pode reproduzir, medido em pixels.


Vamos ver primeiro o tamanho do display.

TAMANHO DO DISPLAY

Como foi dito, o tamanho de um display, seja ele CRT, LCD ou LED é dado em polegadas. Uma polegada equivale à 2,54 cm (25,4 mm). Existem vários tamanhos de display. Os displays utilizados em projetores 3LCD possuem, normalmente, menos de uma polegada. As maiores TVs CRT possuem, normalmente, 29 polegadas. TVs LCD e LED comerciais apresentam, no máximo, 84 ou 92 polegadas. Valores acima destes costumam ser extremamente caros e não muito viáveis comercialmente para serem produzidos.

Você pode encontrar TVs e monitores onde o valor está com uma aspa na sequência do número, por exemplo, 55" e 32". Isto significa, respectivamente, 55 polegadas e 32 polegadas.

O tamanho do display é medido na diagonal. Veja a imagem abaixo para entender melhor:

Tamanho do display

Imagem 2 - Como é medido o tamanho do display


RESOLUÇÃO

Agora, vamos falar um pouco da resolução, isto é, da quantidade de informação, do "tamanho da imagem" que pode ser mostrada na tela.

Com a chegada do padrão analógico VGA, abreviação para Vídeo Graphics Array, em meados dos anos 1980, surgiram muitas variações de resolução semelhantes e compatíveis com esta interface de vídeo. A resolução considerada "padrão" para a interface VGA é a 640x480 pixels, porém nos anos 1990 foram criados várias outras resoluções maiores para monitores um pouco mais sofisticados. Estas resoluções são mostradas na tabela abaixo:

Variações do VGA

Tabela 2 - As variações da resolução VGA


Também nos anos 1990, uma variação chamada XGA (eXtended Graphics Array) foi lançada com dimensões 1024x768 pixels no formato 4:3. Outras variações desta resolução (WXGA, SXGA, UXGA e etc) também foram criadas, no entanto eram alargadas, isto é, no formato 16:9. A maioria destas resoluções é apresentada na tabela abaixo:

Variações do padrão WXGA

Tabela 3 - Variações da resolução XGA


Outras variações do XGA são mostradas na tabela abaixo:

Variações do padrão XGA

Tabela 4 - Outras variações da XGA


A variação XGA possui outras variações com dimensões consideradas de "alta resolução". Note-as na tabela abaixo:

Resoluções altas do padrão XGA

Tabela 5 - Mais variações da resolução XGA


Por exemplo, a resolução HUXGA (6400x4800) e QUXGA (3200x2400) são de formato 4:3. Por exemplo, a resolução WQSXGA (3200x2048) e WHSXGA (6400x4096) são de formato 16:9.

Nos anos 2000, com a popularização de dispositivos compactos (celulares, por exemplo) foi criada uma resolução "reduzida" com 320x240 pixels apenas, sendo exclusiva para dispositivos compactos. Outras resoluções com dimensões próximas à esta também foram criadas. A maioria destas resoluções é apresentada na tabela abaixo:

Resoluções QVGA

Tabela 6 - Outras variações da resolução VGA


O "Q" da sigla significa "Quarter", já que a resolução 320x240 é a quarta parte do tamanho da resolução 640x480. Temos também a resolução 144x98, bastante utilizada em featurephones antigos. Dois smartphones que utilizam display com resolução QVGA é o LG Optimus L1 II e o Sony Xperia X10 mini.

Com a popularização de smartphones, resoluções "alargadas" do padrão VGA foram utilizadas. Por exemplo, o smartphone Google Nexus One e o Samsung Galaxy S utilizam um display com resolução 800x480 pixels.

Com tantas resoluções diferentes, com novas tecnologias sendo aplicadas em televisores e monitores, optou-se por criar um padrão de referência para padronizar resolução dos displays e fazer um apelo de mercado mais forte: o HD, sigla para High Definition, que em português significa "Alta Definição". Veja abaixo, o selo de certificação utilizado em dispositivos que suportam HD:

Selo do padrão HD

Imagem 3 - Selo de certificação HDTV


CURIOSIDADE: Pode ainda ser encontrado o selo "HD Ready" que significa a mesma coisa do "HDTV".

HD se refere a resolução 1280x720 pixels com proporção de 16:9 e uma resolução de 3440x1440 pixels para displays com proporção 21:9. É fácil de encontrar televisores com esta resolução, bem como filmes, vídeos, enfim, muito conteúdo com esta resolução. Isso proporcionou a eliminação de possíveis conflitos e distorções na exibição por existirem muitas resoluções diferentes.

No HD, algumas variações também foram criadas e a tabela abaixo mostra as principais:

resoluções do padrão HD

Tabela 7 - Resoluções abaixo do HD são definidas como Standard Definition, abreviado por "SD".


A resolução 3440x1440 também é conhecida como "Ultra Wide Quad HD", ou simplesmente UWQHD.


Temos também o Full HD, conhecido com FHD, 1080p e até mesmo "1K". É uma evolução do HD que proporciona mais qualidade ainda. O apelo comercial destes aparelhos foi bem mais forte que o do HD. Veja o selo de certificação para aparelhos que suportam o Full HD:

Selo do padrão Full HD

Imagem 4 - Selo de certificação Full HD


Full HD se refere à resolução de 1920x1080 pixels com proporção 16:9. Existe uma variação para monitores 4:3 cuja resolução é 1920x1440 pixels e uma variação de 2560x1080 para displays de proporção 21:9.

CURIOSIDADE: Com a evolução dos smartphones e a chegada das "telas infinitas" surgiram outras variações do padrão HD e do Full HD. Antes de prosseguir, devemos entender o termo "tela infinita" é nada mais que o preenchimento de toda a parte frontal do equipamento com tela, deixando o aparelho praticamente sem bordas. Com isso, vieram as telas HD+ e Full HD+, que via de regra possuem como base, respectivamente, 720 linhas e 1080 linhas de pixels. A quantidade de colunas pode variar, como é o caso do smartphone Philco PCS02, com resolução de 720x1520 pixels (HD+) ou então do Samsung A31, com 1080x2400 Pixels (Full HD+).

Existe também as resoluções HD+ com 1600x900 pixels e QHD+, de 2400x1800 pixels. Outro padrão de Full HD+ é o de 2160x1440 pixels.


Resumindo as principais resoluções de tela mostradas até aqui numa imagem:

Gráfico 1 - Comparação entre várias resoluções de telas


CURIOSIDADE: Para saber quantos pixels uma tela possui, basta multiplicar a quantidade de linhas por colunas.


Por exemplo, uma tela de 1920x1080 tem 2.073.600 pixels


Independente da tela ser CRT, Plasma, LCD ou OLED, via de regra temos 3 subpixels em cada pixel, ou seja, na tela de 1920x1080 temos:


2.073.600 multiplicado por 3 resulta em 6.220.800 subpixels


A atual "modinha" do mercado é vender aparelhos com a sigla "4k", também chamado de 2160p, Ultra HD, UHD, Quad FHD ou QFHD. Mas o que exatamente significa 4k? "4k" representa uma resolução 4 vezes maior que o padrão Full HD, porém não é exatamente por este motivo que é utilizado o termo "4k".

No Sistema Internacional de Unidades (SI), o "kilo" é um sufixo utilizado para representar o número 1000, portanto ao ter até 999.000 unidades de alguma coisa você pode abreviar com a letra "k" (é recomendável que se utilize o "k" minúsculo por definição do SI). No caso da resolução 4k, são 3840x2160 pixels e, pelo número 3840 ser mais próximo do número 4000, pegou-se o nome "4k" nas TVs Ultra HD. Abaixo, você vê o selo do padrão 4k:

Selo do padrão 4k

Imagem 5 - Selo de certificação 4k


Dispositivos com padrão UHD utilizam proporção de 16:9 também. Mesmo assim, a Digital Cinema Initiatives (DCI) adotou o proporção 17:9 com resolução de 4096x2160 pixels, que se tornou muito mais utilizada em cinemas, levando também o selo de 4k, ou melhor dizendo, "DCI 4k".

Outra variação é para a proporção 21:9 (Ultra Wide ou Super Wide Screen) que utiliza resolução 5120x2160 pixels. Abaixo é resumido em uma tabela as variações de resolução para o padrão 4k.

Resoluções do padrão 4k

Tabela 8 - Variações da resolução 4k


O padrão 2k, com resolução de 2018x1080 (ou 2048 x 858 / 1998 x 1080 pixels, padronizado pela DCI para o cinema) não vingou no mercado pela resolução ser próxima do padrão Full HD, por isso foi "pulado" direto para o 4k.

O padrão 5k até que é utilizado no mercado, no entanto ainda preferem o 4k por ser "levemente" mais barato. O 5k possui resolução de 5120x2880 pixels e proporção 16:9, algo parecido com o 4k.

O padrão 8k é o futuro. É 16 vezes maior que a resolução Full HD. Também pode ser chamado de 4320p, Full UHD ou Super UHD. Ainda não há conteúdo para resoluções tão altas e a aplicação desta resolução em displays é extremamente cara. Até o momento, por motivos de dificuldades na fabricação, só é viável em aparelhos acima de 80 polegadas. A resolução 8k apresenta variações de tamanho de acordo com a proporção de tela. A tabela abaixo resume as principais resoluções:

Resoluções do padrão 8k

Tabela 9 - Variações da resolução 8k


CURIOSIDADE: A resolução 8k Fulldome tem 8192x8192 pixels e serve principalmente para equipamentos de projeção em planetários.

Para finalizar, vale lembrar que, ter uma TV 4k não significa que você vai ver imagens em 4k, isso só vai acontecer se o conteúdo exibido tiver sido gravado em 4k, caso contrário as imagens exibidas terão resoluções comuns e serão apenas ampliadas para preencher todo o display. Isso vale para qualquer outra resolução: não adianta ter um dispositivo que exibe imagens com uma qualidade arrasadora se você utiliza-lo apenas para ver conteúdo gravado em resoluções inferiores. Para jogos vale mais a pena um monitor 4k (se o computador suportar gerar gráficos com FPS razoável), pois a qualidade dos gráficos é excelente nesta resolução.

Existe uma relação entre o tamanho em polegadas e a resolução da tela. Esta relação é dada em PPI (Pixel Per Inch - Pixel Por Polegada). Não existe um padrão de resolução e de tamanho em polegadas: dois dispositivos podem ter resoluções iguais, mas telas com tamanhos diferentes. Por exemplo, uma TV de 84 polegadas pode ter resolução 1920x1080 pixels (Full HD) da mesma forma que uma TV de 32 polegadas pode ter resolução de 1920x1080 pixels. Outro exemplo: um smartphone com tela de 5,5 polegadas pode ter resolução de 1280x720 pixels (HD) e um monitor de 22 polegadas pode ter a mesma resolução de 1280x720 pixels.

Por não existir padrões, adotamos a densidade de pixels por polegada, ou PPI, como você preferir. Quanto maior foi o PPI de uma tela, mais informações vão ser exibidas no mesmo espaço, isto é, mais detalhes de uma imagem podem ser exibidos na mesma área. Por exemplo: uma tela de 32" com 1920x1080 pixels (Full HD) terá um PPI maior que uma tela de 32" e resolução de 1280x720 pixels (HD).


OBSERVAÇÃO: Cuidado para não confundir PPI com a sigla DPI (Dots Per Inch - Pontos Por Polegada) normalmente utilizada para definir a qualidade de uma impressão.

O trecho a seguir foi retirado do artigo técnico sobre o funcionamento de televisores LCD.


"A atualização da imagem é feita pixel a pixel (...). Quando este pixel é ascendido, o pixel seguinte recebe os sinais RGB, e assim por diante. O sistema atualiza os pixels linha por linha. Esta atualização pode acontecer de duas maneiras:

-> Atualização sequencial (ou progressiva), abreviada pela letra "p", que significa "Progressive Scan" (Varredura progressiva), começando da linha 1 e terminando na última linha, assim formando um frame;

-> Atualização entrelaçada (ou intercalada), abreviada pela letra "i", que significa "Interlaced Scan", que é quando as linhas ímpares são atualizadas primeiro para que daí o sistema volte e atualize as pares, fazendo assim um frame completo."


O trecho a seguir foi retirado do artigo técnico sobre o funcionamento de televisores CRT.


"A atualização é intercalada pois, no passado, quando as TVs tubo foram inventadas, os fósforos utilizados na tela não eram tão bons e havia a necessidade de intercalar a atualização para que não se notasse a imagem se apagando na parte de cima do monitor quando o feixe de elétrons estivesse atualizando as linhas de baixo. Este padrão ficou para sempre na indústria de TVs tubo."


Apesar das telas LCD e LED sequer utilizarem fósforo em sua composição, o padrão de varredura entrelaçada (ou intercalada) ainda permanece nos displays Full HD ou inferiores.

Quando falamos 1080p, por exemplo, não significa "1080 pixels", mas sim uma imagem com resolução de 1920x1080 pixels e varredura progressiva. Quando falamos, por exemplo, 720i, estamos nos referindo à uma imagem com 1280x720 pixels e varredura entrelaçada.

A letra "i" e "p" podem ser aplicadas em qualquer outra resolução, dependendo das configurações do aparelho, inclusive para projetores 3LCD e chips DMD, que também podem atualizar a imagem de forma progressiva ou intercalada.

A taxa de atualização de imagem se refere à quantas imagens o televisor ou monitor consegue reproduzir no período de 1 segundo. Por este motivo que utilizamos a unidade Hertz para medir a taxa de atualização.

Atualmente, a taxa de atualização mais comum é 60 Hz, todavia, no passado tínhamos 30 Hz também (mais precisamente 29,97 Hz). Existem taxas de atualização de 75 Hz, 89 Hz, 120 Hz, 144 Hz, 240 Hz e 480 Hz, sendo que os modelos a partir de 120 Hz já são bem mais caros devido a complexidade do sistema.

Imagine um monitor de 60 Hz com resolução de 1920x1080 pixels: são 1080 linhas para serem atualizadas 60 vezes por segundo! Agora imagine um monitor 4k (3840x2160 pixels) a 480 Hz: são 2160 linhas para serem atualizadas 480 vezes a cada segundo!

Quando se trata de varredura intercalada, a maioria dos monitores se retém aos 30 Hz de taxa de atualização. Isso é decorrente do processo de atualização, que como foi dito no tópico anterior, acontece primeiro nas linhas ímpares e depois nas pares para se ter uma imagem completa, tornando tudo mais complexo e desnecessário nos aparelhos que não são CRT.

Lembrando que todos os monitores e televisores com display de Plasma, LCD e LED são compatíveis com o sistema "i" e "p" e taxa de atualização de 30 Hz e 60 Hz, no mínimo.

Não é só mandar os sinais de imagem para o monitor e reproduzi-los! Deve haver um sinal de sincronismo vertical e horizontal. Em TVs tubo com 525 linhas de pixels e 30 Hz (mais precisamente 29,97 Hz), é necessário um sinal de 15.750 Hertz (15,7 KHz) para o sincronismo horizontal. Como são 30 Hz, 30 imagens (ou frames, em inglês) por segundo, é necessário um sinal de 60 Hz de sincronismo vertical. Vale notar que, para que ocorra uma varredura entrelaçada, o sincronismo vertical deve ter uma frequência o dobro da taxa de atualização!


Para um monitor de 1920x1080 pixels com varredura progressiva a 60 Hz, necessitamos de um sincronismo vertical de 60 Hz e um sincronismo horizontal de 64.800 Hz (64,8 kHz - Sem contar o back porch e o front porch). Para um televisor de 1080i, necessitamos de um sincronismo vertical de 120 Hz e um sincronismo horizontal de 32.400 Hz (32,4 kHz - Sem contar o back porch e o front porch). Isto vale para todas as outras resoluções existentes e todos os tipos de display, inclusive para projetores 3LCD e chips DMD.

No caso dos padrões analógicos VGA e DVI-I (versão analógica do padrão DVI), o sinal de sincronismo vertical (V-Sync) e horizontal (H-Sync) é mandado em duas linhas separadas do sinal de imagem, só que os dois sinais de sincronismo são enviados no padrão binário, isto é, uma variação de 0's e 1's diz ao circuito principal do display a frequência necessária que deve ser gerada para atualização.

No caso do DVI-D (DVI Digital), HDMI e DisplayPort, os sinais de cores para cada pixel são transmitidos com um determinado clock, que varia de acordo com a resolução do display.

Independente da interface utilizada (S-Vídeo, Vídeo Composto, Vídeo componente, VGA, DVI, HDMI e DisplayPort), os sinais vão ser aplicados nos subpixels da tela geralmente da esquerda para a direita e de cima para baixo.

Interfaces como por exemplo a S-Vídeo, Vídeo Composto, Vídeo componente e a transmissão de sinal analógico e digital vão ser detalhadas em artigos futuros, pois possuem um modo funcionamento bem interessante e mais "chatinho" de entender. As outras interfaces citadas neste artigo também vão ser detalhadas em artigos exclusivos futuramente!

Como o controlador gráfico sabe a resolução da tela?

Nas interfaces DVI, VGA, HDMI e DisplayPort há um canal de comunicação padrão para a troca de informações entre chip gráfico e o controlador principal do aparelho, onde são passadas informações sobre a resolução, taxas de atualização suportadas e várias outras informações para que o processador gráfico se adapte ao funcionamento do monitor ou televisor.

Nos equipamentos digitais, isto é, todos os televisores LCD, Plasma, LED, a formação de cores na tela é através da aplicação de sequências de pulsos elétricos nos subpixels. No caso de Projetores 3LCD e chips DMD, a aplicação de pulsos ocorre nos pixels (na tecnologia 3LCD são 3 displays, um R, um G e um B e nos chips DMD a modulação de cores é sequencial).

Usamos o termo "profundidade de cor", "Color Depth" ou "BPI" (Bits Per Pixel - Bits Por Pixel) para nos referir ao sistema de cores utilizado nestes equipamentos.

Como foi dito, o sistema de cores mais utilizado na informática é o RGB (Red, Green, Blue) portanto, é necessário que, para formar cada uma destas cores uma sequência de pulsos elétricos seja aplicada.

PADRÕES ANTIGOS


-> 2 bits: é utilizado o bit 0 para definir a cor preta e o bit 1 para definir a cor branca. Era utilizado nos antigos equipamentos que exibiam imagens em preto e branco;

-> 8 bits: São utilizados 3 bits para definir o tom de cor verde, 2 bits para definir o tom de cor azul (o olho Humano é menos sensível a cor azul e por isso foi atribuído um bit a menos) e 3 bits para definir o tom de cor vermelha. Como um bit pode assumir apenas dois valores (0 ou 1), fica 2 elevado a 3 = 8 e 2 elevado a 2 = 4. Traduzindo: podem ser gerados 8 tons de verde, 4 tons de azul e 8 tons de vermelho. No final, temos: 8 * 4 * 8 = 256 cores que podem ser geradas no display;

-> 12 bits: São utilizados 4 bits para definir o tom de cor verde, 4 bits para definir o tom de cor azul e 4 bits para definir o tom de cor vermelha. Como um bit pode assumir apenas dois valores (0 ou 1), fica 2 elevado a 4 = 16. Traduzindo: podem ser gerados 16 tons de verde, 16 tons de azul e 16 tons de vermelho. No final, temos: 16 * 16 * 16 = 4.096 cores que podem ser geradas no display!

CURIOSIDADE: O padrão de 12 bits foi muito utilizado em featurephones antigos já no fim dos anos 1990 devido a popularização dos display's à cores nos telefones.

PADRÃO HiColor (HIGH COLOR)

Existem três formatos HiColor que serão explicados aqui:

-> 15 bits: são utilizados 5 bits para definir o tom de cor verde, 5 bits para definir o tom de cor azul e 5 bits para definir o tom de cor vermelha. Como um bit pode assumir apenas dois valores (0 ou 1), fica 2 elevado a 5 = 32. Traduzindo: podem ser gerados 32 tons de verde, 32 tons de azul e 32 tons de vermelho. No final, temos: 32 * 32 * 32 = 32.768 cores que podem ser geradas no display;

-> 16 bits: são utilizados 6 bits para definir o tom de cor verde (o olho Humano capta melhor a cor verde e por isso foi atribuído um bit a mais), 5 bits para definir o tom de cor azul e 5 bits para definir o tom de cor vermelha. Como um bit pode assumir apenas dois valores (0 ou 1), fica 2 elevado a 5 = 32 e 2 elevado a 6 = 64. Traduzindo: podem ser gerados 64 tons de verde, 32 tons de azul e 32 tons de vermelho. No final, temos: 64 * 32 * 32 = 65.536 cores que podem ser geradas no display;

-> 18 bits: são utilizados 6 bits para definir o tom de cor verde, 6 bits para definir o tom de cor azul e 6 bits para definir o tom de cor vermelha. Como um bit pode assumir apenas dois valores (0 ou 1), fica 2 elevado a 6 = 64. Traduzindo: podem ser gerados 64 tons de verde, 64 tons de azul e 64 tons de vermelho. No final, temos: 64 * 64 * 64 = 262,144 cores que podem ser geradas no display!

CURIOSIDADE: Este sistema de 18 bits é utilizado na interface VGA, onde os dados são convertidos em ondas elétricas, e ao chegarem num monitor CRT são amplificados para excitarem os fósforos do tubo. No caso de displays de Plasma, LCD, LED, projetores 3LCD e chips DMD, o sinal é convertido em digital novamente, em sequências de 6 bits para cada cor.

PADRÃO TrueColor


Existem dois formatos que serão explicados aqui. Ambos os formatos ultrapassam a quantidade de cores que o olho Humano é capaz de enxergar em imagens fotográficas.

-> 24 bits: são utilizados 8 bits para definir o tom de cor verde, 8 bits para definir o tom de cor azul e 8 bits para definir o tom de cor vermelha. Como um bit pode assumir apenas dois valores (0 ou 1), fica 2 elevado a 8 = 256. Traduzindo: pode ser gerado 256 tons de verde, 256 tons de azul e 256 tons de vermelho. No final, temos:


256 * 256 * 256 = 16.777.216 cores que podem ser geradas no display!

-> 32 bits: este é um outro modelo de TrueColor, mas que não reproduz 256 * 256 * 256 * 256 cores, pois são apenas 3 cores, ou seja, o padrão RGB.

O sistema de 32 bits reproduz os mesmos 16.777.216 cores que o padrão de 24 bits, mas com um quarto canal adicionado, o Canal Alfa.

Com o Canal Alfa é possível ter a opacidade do pixel, isto é, se ele vai ficar transparente ou não. Caso seja atribuído o valor máximo para Alfa, isto é, o 255, o pixel ficará completamente opaco. Já se for atribuído o valor mínimo, isto é, 0, o pixel será completamente transparente. Em arquivos no formato PNG é comum encontrarmos imagens que utilizam este canal. Observe a imagem abaixo:

Canal Alfa

Imagem 6 - O TrueColor de 32 bits e a opacidade de pixel


Este Canal Alfa permitiu atenuar as bordas de um objeto na imagem, provocar um "efeito de vidro", sombras realistas com partes negras enevoadas e semi-transparentes da imagem além de várias outras coisas.

Utilizando o padrão TrueColor, temos por exemplo:

> Branco: R= 255; G= 255; B=255. (#FFFFFF em hexadecimal)

> Azul: R= 0; G= 0; B= 255. (#0000FF em hexadecimal)

> Verde: R=0; G= 255; B= 0. (#00FF00 em hexadecimal)

> Amarelo: R= 255; G= 255; B= 0. (#FFFF00 em hexadecimal)

> Magenta: R= 255; G= 0; B= 255. (#FF00FF em hexadecimal)

> Ciano: R= 0; G= 255; B= 255. (#00FFFF em hexadecimal)

> Preto: R= 0; G= 0; B= 0. (#000000 em hexadecimal)

Nos softwares de edição, é comum os códigos estarem em notação Hexadecimal, portanto para a cor branca teríamos #FFFFFF, e para a cor preta teríamos #000000. O sinal hashtag (#) é utilizado para mostrar que o código Hexadecimal representa uma cor, isto pois estes códigos podem ser utilizados para vários fins na computação.

Anteriormente havia citado uma curiosidade sobre as "telas infinitas" que viraram moda nos smartphones atuais. Como foi dito, estas telas ocupam a maior parte da frente do aparelho, reduzindo as bordas e eliminando botões físicos ou capacitivos. Outra coisa que podemos notar é a extinção das telas com 90° de angulação nos cantos, bem como um entalhe na parte superior pra alocar a câmera frontal (ou câmera de selfie, como preferir).


O Entalhe das telas de smartphones

Existem dois 'tipos' de entalhe em telas de smartphones, sendo que o aparelho que popularizou este padrão de design foi o iPhone X. São eles:

-> O Notch: Nome mais comum e utilizado para se referir ao entalhe de qualquer aparelho. Até então, na época de lançamento do iPhone X, a câmera frontal e os sensores (como por exemplo o sensor de luminosidade) ainda precisavam de um espaço acima da tela, por isso adotou-se o entalhe. Veja a imagem abaixo:

Imagem 7 - Entalhe na parte superior da tela do iPhone X


-> O DewDrop: Também chamado de “entalhe em forma de gota” reduziu ainda mais esse espaço de periféricos no topo das telas, abrigando apenas a câmera frontal. Alguns sensores físicos passam a ser deixados de lado, como é o caso da linha Samsung Galaxy M, que utiliza o chamado “Virtual Light Sensing”, uma tecnologia que “mede” a luminosidade do ambiente a partir da câmera frontal do aparelho. Veja a imagem abaixo:

Imagem 8 - DewDrop na tela do Philco PCS02P


CURIOSIDADE: Existem smartphones que utilizam módulos retráteis para câmeras, não necessitando de entalhe na parte superior da tela.


Cantos e Recortes Arredondados

Como você bem sabe, um display é nada mais que uma matriz de pontos de luz (pixels) com uma determinada quantidade de linhas e colunas. No entanto, com a ascensão das telas de cantos arredondados e o entalhe (Notch ou DewDrop), a matriz de pixels se tornou "deformada", como é possível notar nas Imagens 7 e 8. Todavia, a varredura da tela continua a mesma, bem como a taxa de atualização, isto pois estes recortes arredondados permanecem "quadriculados", como é possível ver no diagrama abaixo:

Diagrama 1 - Os cantos arredondados das telas LCD e OLED


O que muda com certeza nesta telas é o sincronismo vertical e horizontal para que haja a varredura e atualização de imagem, isto pois algumas linhas de pixels obviamente possuem menos pontos de luz devido ao recorte arredondado.


CURIOSIDADE: Telas com cantos arredondados e entalhe podem ser do tipo OLED ou LCD. Inclusive, no caso das LCDs, o backlight de LEDs teve a eficiência melhorada com a retirada dos cantos de 90°.

Para saber mais sobre as telas LCD, CLIQUE AQUI!

Para saber mais sobre as elas OLED, CLIQUE AQUI!


CURIOSIDADE: Nestas telas infinitas com cantos arredondados e entalhe, a medida de resolução permanece "x linhas por y colunas", porém obviamente a distribuição dos pontos de luz é diferente, o que culminou na popularização de resoluções do tipo HD+ e Full HD+, com valores de resolução bastante diversificados.


Relação de Abertura

Os painéis LCD precisam de um backlight emitindo luz, bem como uma cortina de cristal líquido controlada por um circuito TFT ou TFD embutido no próprio ecrã, portanto possuem áreas transparentes (aberturas) e áreas à prova de luz. Mas o que seriam as aberturas e as áreas à prova de luz?

A relação de abertura consiste numa relação entre a área transparente (excluindo a área de conexões elétricas do pixel e a área de circuito TFT ou TFD, com os transistores, eletrodos e capacitores - normalmente referida como uma matriz preta, sendo à prova de luz) e a área total de pixels. À medida que a relação de área aberta aumenta, a luz penetra com maior eficácia.

Métodos de produção atuais, que utilizam tecnologias como por exemplo o LTPS, HTPS, LTPO, IGZO e a-Si já transformaram o circuito TFT / TFD em algo que muito pouco limita a passagem da luz do backlight para a frente do visor.

Caso veja que faltou alguma coisa, ou que há algum erro gramatical, ou tenha restado alguma dúvida, mande suas palavras para hardwarecentrallr@gmail.com

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FONTES e CRÉDITOS

Texto, imagens, desenhos, tabelas: Leonardo Ritter, Google Imagens.

Fontes: InfoWester; Pinouts.ru; BurgosEletrônica; artigo técnico do HC sobre displays LCD e CRT; Embarcados; livro "Informática para Concursos"; Wikipedia (somente artigos com fontes verificadas!).


Última atualização: 23 de Julho de 2021.

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