• Leonardo Ritter

Óptica – CD / DVD / BluRay – Parte 2


Neste artigo será abordado características e um pouco da história do Blu-Ray, disco considerado uma evolução do DVD, mas que mesmo assim não foi muito longe com a popularização de mídias de estado sólido (pen drives e SSD’s) e de streaming via internet (Netflix e outras).

Nos anos 1990 não havia se desenvolvido tecnologias que permitissem a gravação de imagens em altíssima resolução, só que, com a chegada do diodo laser azul, criado pelo pesquisador e estudioso Shuji Nakamura, a densidade de dados gravados num disco poderia aumentar significativamente, de forma que os horizontes sobre o armazenamento de dados por meios ópticos foi ampliado.

A Sony,em meados dos anos 2000, logo se envolveu no projeto de criação de novas mídias ópticas e, em parceria com a Philips, e criou o UDO, sigla para Ultra Density Optical. Em seguida, a Sony, em parceria com a Pionner, criou o DVR Blue, este sendo o precursor do Blu-Ray, nome dado à nova tecnologia após sua finalização, em 2002.

CURIOSIDADE: O DVR Blue chegou a aparecer na exposição CEATEC em Outubro de 2000 e a marca Blue Disc chegou a ser registrada pela Sony, mas acabou sendo arquivada em 9 de Fevereiro de 2001.

CURIOSIDADE: O nome Blu-Ray veio do laser azul utilizado no drive de gravação e leitura. Inicialmente a ideia era batizar de “Blue-Ray”, que traduzindo significa “Raio Azul”, só que viriam dificuldades em registrar esse nome, pois “Raio Azul” era um termo muito utilizado, portanto, restou à Sony tirar a letra “e” e registrar BluRay. O nome oficial da tecnologia é Blu-Ray Disc.

Em 2002 também surge o Consórcio Blu-Ray Disc Founders, formado pelas criadoras da tecnologia e pelas empresas que se interessaram depois. Entre estas empresas estão a LG, Dell, Samsung, Philips e 20th Century Fox.

O primeiro aparelho de Blu-Ray BD-RE, chamado de BDZ-S77, foi lançado pela Sony em 10 de Abril de 2003, custando cerca de 3.800 dólares, antes mesmo das especificações da tecnologia serem finalizadas para que as fabricantes pudessem produzir aparelhos, algo que só aconteceu em 2004, sendo que alguns detalhes do primeiro Gravador de Blu-Ray lançado foram revistos. Ainda em 2004, o nome do Consórcio mudou para Blu-Ray Disc Association. Até hoje novas empresas se aliam ao Consórcio, apesar do Blu-Ray estar perdendo mercado gradativamente.

Em Janeiro de 2005, a TDK troxe um sistema de proteção físico feito de um polímero ultra duro e fino para proteger a superfície do disco. Esta película de polímero foi chamada de Durabis.

Em 2005, a Sun Microsystems entrou na brincadeira e anunciou a adição do ambiente multiplataforma Java para a tecnologia Blu-Ray. Mas pra adicionar o Java como parte obrigatória das especificações do Blu-Ray? Simples!

Os menus interativos presentes nos discos Blu-Ray são desenvolvidos graças ao Java, e além disso, possuem uma qualidade muito melhor em relação aos menus de discos DVD, isso porque o DVD utiliza segmentos MPEG pré-programados e imagens de legendas selecionáveis, algo bem mais básico do que um menu baseado em Java.

Na mesma conferência, o criador do Java, James Gosling, sugeriu que fosse colocado uma máquina virtual Java e uma conexão via cabo Ethernet nos aparelhos de Blu-Ray para que fosse mais fácil baixar atualizações, legendas e faixas de áudio de dublagem no conteúdo reproduzido pelos discos. Atualmente, os players de Blu-Ray versão 2.0, isto é, de segunda geração, já incorporam conectividade com internet para que assim os dados referentes ao filme que está sendo executado sejam baixados através de uma porta Ethernet. Este sistema todo de conectividade com Java é chamada de BD-J e é um subconjunto do padrão Globally Executable MHP (abreviada pela sigla GEM, que é a versão mundial do padrão Multimedia Home Platform).

Em meados de Junho de 2006 surgem os primeiros aparelhos de Blu-Ray, e como exemplo pode ser citado o Samsung BD-P1000. Em Junho também surgiram os primeiros títulos. Por parte da própria Sony surgiram os títulos "50 First Dates", "The Fifth Element", "Hitch, House of Flying Daggers", "Underworld: Evolution" e "xXx". Por parte da Warner Bros. surgiu o título "Twister", e o Título "Terminator" pela produtora MGM.

Os primeiro títulos utilizaram o formato de compressão MPEG-2, que também era utilizado no DVD. Na sequência, em Setembro de 2006, optaram por utilizar os formatos VC-1 e AVC.

Em Outubro de 2006 surgem os filmes gravados em discos de camada dupla, com capacidade de 50 GB. O Blu-Ray também serviu para a gravação de álbuns de áudio, que só surgiram no mercado em 2008.

Foram lançados títulos muito antigos para Blu-Ray, como por exemplo o filme "A Guerra Dos Mundos", de 1953. Quando se trata de títulos antigos, o Blu-Ray é muito criticado, pois a qualidade da imagem é tão alta, que em muitas cenas é possível notar profundidade na imagem da cena e assim mostrar detalhes indesejados no cenário, nos objetos, nos personagens, e também truques de gravação (já que em 1950 não existia efeitos especiais computadorizados). Em filmes atuais, graças há computação gráfica super avançada, o efeito de profundidade dá ainda mais qualidade ao vídeo. Esse "efeito de profundidade" na imagem pode ser notado sem o uso de óculos 3D.

Possuindo as mesmas medidas dos CD’s e DVD’s comuns, o Blu-Ray se tornou superior pelo seu grande diferencial: a capacidade de armazenamento. Em padrões comerciais, a capacidade de gravação mínima é de 25 GB quando o disco é fabricado com apenas uma camada (Single Layer), e a capacidade de gravação máxima pode chegar aos 50 GB, quando o disco é fabricado com duas camadas (Dual Layer). Logicamente, existem outros padrões mais raros ou que podem ser usados em aplicações específicas, como exemplo, podemos citar o Blu-Ray de 128 GB, apresentado em 2010, mas que não foi tão popular. Veja abaixo uma tabela com as principais capacidades e tamanhos do Blu-Ray:

Se você está meio perdido com as siglas "GB" e "GiB", aconselho a ler o artigo sobre Bytes e bits do HC. CLIQUE AQUI para abri-lo!

Existe também o Blu-Ray com 4 camadas de 25 GB cada, todas em apenas um dos lados do disco, fazendo com que a mídia atinja os 100 GB de capacidade. A TDK anunciou uma versão do Blu-Ray incorporando o Peróxido de Bismuto na estrutura química do disco, permitindo assim que a capacidade de cada camada seja de 33 GB. A TDK, utilizando-se do Peróxido de Bismuto, criou um disco de 6 camadas em um único lado, atingindo assim a marca dos 200 GB de capacidade. Veja a imagem do disco de 200 GB abaixo:

Da mesma forma que os CD’s e DVD’s, existem discos Blu-Ray graváveis e não regraváveis.

> Primeiramente, existe o modelo que só pode ser gravado uma vez, sem a possibilidade de apagar ou regravar novamente, chamado de BD-ROM. As especificações técnicas do BD-ROM foram finalizadas em meados de 2006.

> Discos que podem ser regravados apenas uma vez são chamados de BD-R.

> A versão completamente regravável do Blu-Ray é chamada de BD-RE.

Imagem de um disco Blu-Ray

Quando se trata de velocidade de gravação e regravação, novamente o Blu-Ray supera os velhos DVD’s. Isto porque a velocidade de gravação conhecida como “1X” é de 36 Mbps teóricos (36 Megabits por segundo), que equivale à cerca de 4,5 MegaBytes por segundo, enquanto DVD’s ficam na faixa dos 1.350 KB/s (KiloBytes por Segundo). Quando utilizamos uma velocidade de gravação maior, por exemplo a “8X”, devemos multiplicar os 36 Mbps por 8 para termos a velocidade máxima teórica, neste caso 288 Mbps.

Nas operações de leitura (execuções de vídeo, por exemplo) há um porém: a taxa máxima de leitura de dados chega há aproximadamente 54 Mbps, isto é, pouco mais do que a velocidade de “1X” que é de 36 Mb/s.

Para gravação de sinal digital de TV via cabo, satélite, IPTV ou transmissão terrestre, a taxa de gravação de "1X" (36 Mbps) já é excelente. Quando se trata de reprodução de conteúdo de um Blu-Ray, a taxa de Áudio / Vídeo (AV) padrão é de 48 Mbps, sendo que, apenas a taxa de vídeo é de 40 Mbps.

ESPECIFICAÇÕES DE VÍDEO

Veja abaixo uma tabela com as resoluções suportadas, o FPS, a varredura e a taxa de proporção suportadas pelo Blu-Ray:

Para executar vídeo eram necessários os codec's MPEG-2, H.264/MPEG-4 AVC e SMPTE VC-1. O MPEG-2 foi utilizado também no DVD.

O algoritmo de compressão do MPEG-2 não era tão eficaz quanto os que vieram na sequência. Em discos de 25 GB, as produtoras conseguiam gravar cerca de 2 horas de conteúdo em formato MPEG-2, tanto que após a chegada do AVC e do VC-1, o MPEG-2 foi utilizado apenas nos conteúdos extras, como por exemplo o "Making-Of", que acompanhavam o conteúdo principal dos discos Blu-Ray. Um exemplo deste tipo é o filme "Superman Returns", que utiliza VC-1 para o filme e MPEG-2 para alguns dos conteúdos bônus incluídos na mídia.

DETALHE: Mesmo o conteúdo bônus estando em um formato de compressão não tão bom, eles conseguem utilizar resolução Full HD tranquilamente, diferente dos discos onde 100% da gravação era em MPEG-2 e o conteúdo extra tinha que ser gravado em resolução mais baixa, na faixa dos 640x480 ou 720x480, para "caber" no disco.

CURIOSIDADE: O MPEG4 AVC foi desenvolvido pela Sony, pela MPEG e pela VCEG. O SMPTE VC-1 teve seu desenvolvimento liderado pela Microsoft. O conteúdo gravado em discos Blu-Ray deve obrigatoriamente utilizar pelo menos um destes formatos de vídeo. Além disso, os outros formatos suportados pelo DVD também funcionam no disco de laser azul, como por exemplo o ISO 9660 (os famosos arquivos ISO) e o formato UDF.

ESPECIFICAÇÕES DE ÁUDIO

Quando se trata de áudio, os formatos de compressão suportados são o Dolby Digital AC-3, o DTS e o PCM Linear. Os aparelhos de Blu-Ray podem suportar também, de forma opcional, o Dolby Digital Plus e DTS-HD High Resolution Áudio, bem como formatos Lossless Dolby TrueHD e DTS-HD Master Audio. Veja abaixo, uma tabela com as especificações técnicas dos formatos de áudio listados:

Aconselhamos a abrir esta tabela na galeria do blog, para que a visualização seja ampliada e melhorada.

Lembrando que, LPCM significa "Pulse-Code Modulation" ou em português, "Modulação por Largura de Pulso" e é o formato padrão para áudio digital em computadores, smartphones e discos ópticos, além de vários outros dispositivos digitais que utilizam codec's de áudio para reproduzir músicas.

A trilha sonora principal deve utilizar um dos formatos obrigatórios, já a trilha sonora secundária pode utilizar qualquer um dos codec's obrigatórios e opcionais listados.

Como que um disco Blu-Ray, possuindo as mesmas medidas de um CD ou DVD comum, pode ter a capacidade de armazenar mais informações?

A resposta está justamente no laser azul. A luz azul possui um comprimento de onda menor que a luz vermelha, que é utilizado nos drives de CD e DVD para fazer o processo de leitura e gravação. Quando se utiliza um laser com um comprimento de onda menor, as linhas onde as informações são gravadas no disco podem ser aproximadas, já que a capacidade de focalização do laser é maior. No DVD, o laser vermelho tem comprimento de onda de 605 nm, já o laser azul usado no Blu-Ray tem 405 nm.

A linha onde as informações são gravadas, é formada por cavidades com largura de 0,15 Mícron no Blu-Ray, enquanto o DVD possui cavidades com largura de 0,4 Mícron. O espaço entre as linhas, chamado de “Track Pitch”, é de 0,32 Mícron no Blu-Ray, enquanto no DVD é de 0,74 Mícron. Veja a imagem abaixo para se situar melhor:

Diferenças entre a superfície do DVD e a do Blu-Ray

No próximo artigo, você verá detalhadamente e claramente as brutas diferenças entre o CD, o DVD e o Blu-Ray.

Pelo Blu-Ray ter uma grande capacidade de armazenamento, ele ajudou a popularizar os termos HD e Full HD, ou 720p / 720i e 1080p / 1080i. Para ver mais detalhes sobre o que significam estes termos, CLIQUE AQUI e veja mais um artigo cheio do HC!

Na imagem acima é possível ver um Player de Blu-Ray, ou simplesmente "Aparelho de Blu-Ray".

A DISPUTA

A vida do Blu-Ray não foi só “mar de rosas”. Durante um período de 4 anos ocorreu uma guerra mercadológica entre Toshiba e Sony para popularizar suas tecnologias, o HD-DVD e o Blu-Ray respectivamente.

De um lado, a Sony, com seu consórcio de dezenas de empresas e o Blu-Ray, com grande capacidade de armazenamento.

De outro lado, a Toshiba, apoiada pela NEC, Intel e Universal Pictures, lutava para que o High Density DVD (também chamado de High definition DVD) predominasse no mercado.

O drive de HD-DVD tem um laser com comprimento de onda de 405 nm e cor azulada, muito parecido com o laser utilizado no drive de Blu-Ray. As dimensões do disco HD-DVD eram as mesmas do Blu-Ray. O único e crucial ponto negativo era a capacidade de armazenamento: 15 Gb no disco de uma camada e 30 Gb no disco de camada dupla. Isso se deve ao fato de que o HD-DVD possuía cavidades de 0,20 Mícron e um Track Pitch de 0,40 Mícron, valores maiores que em discos Blu-Ray.

CURIOSIDADE: Existiram drives "combo" capazes de executarem CD’s, DVD’s, Blu-Ray’s e até mesmo HD-DVD's. Estes drives não foram muito longe no mercado, mas até hoje é possível encontra-los em leitores e gravadores presentes em notebooks. Aparelhos antigos, feitos para CD e DVD, não tem a capacidade de executar Blu-Ray e HD-DVD justamente por causa do laser de cor diferente.

A LG lançou o primeiro aparelho de DVD / Blu-Ray / HD DVD Super-Multi capaz de gravar em velocidade 6X em mídia Blu-Ray. O novo GGW-H20L é o sucessor da unidade combo Blue-Ray / HD DVD modelo GGW-H10N Super-Multi que estava disponível na época.

As especificações básicas incluem uma interface SATA, suporte para Lightscribe, gravação na velocidade 6X para mídia BD-R usando a técnica de gravação CAV (Constant Angular Velocity), velocidade 3X para HD DVD-ROM (de 15GB e de 30GB), escrita com velocidade 16X para mídia DVD +/- R e velocidade 40X para o velho CD-R. Outra grande vantagem do GGW-H20L é o suporte para gravação de 4X BD-R DL (50 GB), o que significa gravar aproximadamente 46 GB de dados em menos de 50 minutos.

Por alguma tempo, a LG foi a única fabricante de ODD que ofereceu drives compatíveis com os formatos Blu-Ray e HD DVD. O modelo GGW-H20L foi disponibilizado no mercado coreano primeiro, sendo vendido por US $ 526, quase metade do preço do modelo anterior da empresa.

CURIOSIDADE: A JVC (Victor Company of Japan) chegou a desenvolver um combo DVD / BD com três camadas que permitiria o padrão de DVD e Blu-Ray no mesmo disco. Desta forma, poderia ser comprado um filme que pode ser visto em leitores de DVD atuais, e também ter alta definição se for inserido em um leitor de Blu-ray. Duas das camadas corresponderiam a um DVD de camada dupla (8,6 GB) e a terceira camada corresponderia a um disco Blu-ray.

A incompatibilidade entre as duas tecnologias, DVD e Blu-Ray, dificulta a produção de discos híbridos. Esse problema vem das linhas de montagem, pois os fabricantes foram forçados a fazer um grande investimento em suas máquinas para começar a criar discos Blu-ray. Isso se deve à grande diferença de tecnologia entre este disco e o DVD, especialmente a camada especial de proteção da mídia de laser azul. Mais uma curiosidade: leva 5 segundos para produzir um Blu-ray.

Mesmo com os problemas, há a possibilidade de criar Blu-rays híbridos, isto é, com duas camadas, sendo que uma delas é para o DVD. No início, os estudos associados mostraram que não haveriam produtos nessa modalidade. Mas o concorrente HD-DVD chegou há ter alguns títulos que funcionavam como DVD e HD-DVD (O HD-DVD também é incompatível com leitores de DVD). Os estúdios de Blu-Ray decidiram incluir títulos usando discos híbridos, e desde o final de 2006, já eram lançadas mídias nesta modalidade.

A indústria cinematográfica foi revolucionada com o DVD. Era um hardware de armazenamento barato, durável e se consegue ter uma qualidade de imagem superior se comparado com as velhas fitas VHS. O ponto negativo é a pirataria!

Para que se pudesse ter um controle sobre a disponibilização de conteúdo, um controle geográfico foi criado. Funciona assim: um DVD fabricado para uma determinada região do globo não vai funcionar em aparelhos fabricados para serem vendidos em outras regiões. Para isso, o globo terrestre foi dividido em seis regiões, sendo que cada uma possui um grupo de países e recebe um código.

Com o Blu-Ray não é diferente, só que, ao contrário do DVD, são apenas três regiões em que o globo terrestre é dividido, como você pode ver na lista e no gráfico abaixo:

- Região 1 (ou A): para todo continente americano e para a Ásia Central; - Região 2 (ou B): para a Europa, o Oriente Médio, a África e a Oceania; - Região 3 (ou C): para a China, a Rússia, a Ásia meridional e a Ásia insular.

Aos aparelhos de Blu-Ray é dado um código correspondente à região para qual ele foi produzido e vendido. Aos discos também é feito isso, portanto o aparelho de Blu-Ray só vai rodar os discos que possuem o mesmo código. Existem discos com mais de um código e que vão rodar nas regiões correspondentes, e há também discos sem nenhum código e que rodam em qualquer aparelho de qualquer região. Este código está presente no firmware do aparelho de Blu-Ray e no início da trilha do disco.

CURIOSIDADE: O Blu-ray também foi muito utilizado no comércio de jogos de computador pessoal ou de consoles. Para PlayStation 3, os jogos lançados eram em Blu-Ray. A mídia do laser azul foi boa para jogos pois, muitos deles alcançam 50 GB de tamanho devido há alta qualidade gráfica, suporte ao 3D e complexidade da programação. Bons exemplos de jogos gravados nesta mídia são "Uncharted 3: Drake's Deception", "God of War III", "Killzone 3" e "Resistance 3".

O curioso é que, quando se trata de jogos, também é utilizado o mesmo sistema de controle geográfico, mas não com o intuito de proteger as mídias contra pirataria, mas sim apenas para identificação.

Além deste método de segurança idêntico ao do DVD, o Blu-Ray conta com tecnologias que dificultam a cópia dos arquivos gravados.

Quando o primeiro aparelho de Blu-Ray foi lançado, o já mencionado BDZ-S77, as produtoras de Hollywood queriam que o equipamento incorporasse métodos de gerenciamento de Direitos Autorais avançados antes que a tecnologia chegasse ao mercado. O sistema Scramble de Conteúdo (conhecido como CSS) era falho nos DVD's, portanto, as produtoras insistiam que o sistema DRM era melhor em termos de segurança.

Abaixo, uma descrição dos métodos de proteção anti-cópias utilizados no Blu-Ray:

> AACS: Sigla para Advanced Access Content System, é uma tecnologia que protege a gravação através de criptografia. As fabricantes de drives de Blu-Ray recebem chaves de criptografia que conseguem descriptografar as informações gravadas através de uma chave existente na mídia. Quando se obtém a chave da mídia é possível fazer a cópia do conteúdo gravado, mas para consegui-la, normalmente é necessário ter a chave presente no drive de Blu-Ray também. Se conseguirem descobrir a chave de criptografia, as fabricantes poderão decidir bloquear a execução de mídias produzidas posteriormente em aparelhos que utilizam a chave descoberta. Nos discos e drives de HD-DVD também é utilizada esta técnica de proteção.

Esta tecnologia é polêmica, pois pode prejudicar pessoas que não tem nada a ver com a descoberta da chave e tornar o aparelho de Blu-Ray que elas possuem inútil para a execução de discos mais novos. Por esta medida prejudicar consumidores inocentes, as fabricantes preferem utiliza-las em dispositivos industriais.

A tecnologia AACS pertence ao Consórcio AACS LA, fundado em 2004, para que as especificações de uma plataforma de DRM (Digital Right Management - Gerenciamento de Direitos Digitais) fossem criadas para o Blu-Ray Disc. Ocorreram atrasos, mas uma versão preliminar, com alguns recursos não finalizados (gerenciamento de cópias, por exemplo) foi lançado às pressas à pedido das fabricantes de hardware, para que o sistema DRM fosse incluído no firmware de aparelhos de Blu-Ray.

> BD+: A tecnologia BD+ se baseia em outra, conhecida como "Self-Protecting Digital Content" ou simplesmente SPDC. O BD+ utiliza como base uma espécie de máquina virtual para verificar as chaves de criptografia dos discos para que então possa ser identificado as mídias originais. Cópias ilegais apresentarão chaves incorretas e poderão não ser executadas de forma satisfatória. Esta técnica de proteção de discos originais já foi quebrada.

O SPDC foi criado pela Criptography Research Inc. de São Francisco, Califórnia. Se um conteúdo gravado em um disco já lançado já foi explorado e copiado, os discos lançados posteriormente utilizarão uma nova criptografia, fazendo com que os "malandros" tenham que explorar as novas mídias "do zero" para poderem pirateá-las. Esta técnica de proteção é dinâmica, pois permite a modificação e o aperfeiçoamento do sistema, dificultando ainda mais a pirataria.

Em Agosto de 2011, a tecnologia BD+, que pertencia à Rovi Corporation, foi adquirida pela Irdeto e foi integrada ao "Irdeto ActiveCloak™ for Media" com o intuito de reforçar a qualidade desse sistema e oferecer uma produto ainda melhor aos estúdios de Hollywood.

> ROM Mark: Também conhecido como BD-ROM Mark é um tipo específico de marca d'água aplicado em discos Blu-Ray originais e que deve ser lido pelo player. Essa marca d'água contém o ID (Identificator) do volume necessário para descriptografar os dados gravados no disco via AACS.

Para que sejam feitas cópias originais da mídia é necessário um mecanismo especial, detido apenas pelas empresas que administram a tecnologia, portanto, a pirataria de conteúdo é dificultada.

> ICT: è a sigla para "Image Constraint Token" e permite a reprodução de cópias não originais, só que limitando a resolução da imagem. Esta técnica de proteção pode prejudicar usuários que tenham um cabo de vídeo mais simples ligado ao monitor, isto porque, ao usar o ICT, o AACS deve estar habilitado no player de Blu-Ray, e para que isto funcione, toda a cadeia de exibição, isto é, o player, os cabos e até mesmo o monitor devem ser equipamentos "seguros", ou seja, devem possuir a tecnologia HDCP (High Bandwidth Digital Content Protection - Proteção de Conteúdo Digital de Alta Largura de Banda) habilitada.

O HDCP está disponível para vários monitores com suporte as interfaces de vídeo digital, sendo os principais o HDMI, DisplayPort e DVI, assim como interfaces menos comuns, como a GVIF (Gigabit Video Interface) e UDI (Unified Display Interface). Para que fique mais claro, o HDCP é um método de proteção contra cópia criado pela Intel Corporation e que está acoplado à sistemas de transmissão de vídeo e áudio criptografando os os dados transmitidos para impedir a escuta de dispositivos não autorizados.

Como você pode ver, as tecnologias AACS, BD+ e ICT estão atreladas, sendo que a BD+ e a ICT complementam a AACS, que já foi quebrada. O HDCP também precisa estar presente para que o AACS funcione e você possa assistir Blu-Ray's originais!

O Blu-Ray teve outras versões durante sua história. Uma delas é o Blu-Ray 3D, como você pode ver na explicação abaixo:

BLU-RAY 3D

No final de 2009, a Blu-Ray Disc Association aprovou o Blu-Ray 3D. Retro-compatível com drives para Blu-Ray original, o Blu-Ray 3D oferecia a capacidade de visualização de imagens 1080p em 3D. Salas de cinema no mundo todo foram dotadas com os equipamentos necessários para executar todos os efeitos visuais e sonoros que poderiam ser reproduzidos com esta nova mídia.

Para criar o Blu-Ray 3D foi utilizado o Codec Multiview Video Coding, abreviado pelas letras MVC. O MVC tava mais pra uma evolução do Codec ITU-T H.264/MPEG-4 que foi utilizado no Blu-Ray comum. Com o MVC, foi capaz de criar uma imagem 1080p para cada olho e reforçar ainda mais a qualidade de imagem para tornar o efeito de tridimensionalidade mais real, tudo isso sem necessitar de discos maiores e maior capacidade de armazenamento.

O Blu-Ray 3D pode ser executado em aparelhos sem suporte ao 3D, só que, claro, o vídeo e o áudio seriam reproduzidos sem nenhum efeito 3D. Para executar os efeitos 3D é preciso ter equipamentos compatíveis: Além do drive, era necessário dois monitores Full HD e a utilização de óculos especiais.

BLU-RAY 4K

Em 5 de Setembro de 2014, a Blu-Ray Association anunciou a continuação da tecnologia.

Também conhecido como Ultra HD Blu-Ray, o disco Blu-Ray 4K não é compatível com os players de Blu-ray existentes, sendo necessário comprar um novo aparelho para executar os discos com vídeo em 3840x2160 pixels de resolução.

Além de suportar 4K, há a tecnologia HDR (High Dynamic Ranfe - Alta Faixa Dinâmica) com profundidade de cor de 10 bits, uma maior gama de cores com as definições do Rec.2020, e ainda por cima, os filmes gravados podem ter uma taxa de quadros de até 60 FPS,

As especificações completas do Blu-Ray 4K foram publicadas em 12 de Maio de 2015.

Quando se trata de técnicas contra cópia, o Blu-Ray 4K não possui Controle Geográfico e utiliza o sistema de criptografia AACS 2, uma versão aperfeiçoada do AACS original.

Em 1 de Março de 2016 o suporte ao HDR10 se tornou obrigatório no Blu-Ray 4K e a tecnologia de áudio Dolby Vision passou a ser opcional. Neste mesmo dia surgem os primeiros títulos em Blu-Ray 4K.

Em 23 de janeiro de 2018, foram incluídos o suporte às tecnologias HDR10+ e Philips / Technicolor SL HDR2 na especificação BDA v.3.2 do Blu-Ray 4K.

O Blu-Ray 4K suporta o Codec HEVC (High Efficiency Video Coding), um formato muito bom para vídeo em alta resolução e que ocupa muito espaço de armazenamento.

Em 2014, a Sony lançou alguns Blu-Ray's comuns masterizados em 4K, ou seja, não são gravados em 4K, mas sim a resolução padrão 1920x1080 "ampliada" para apresentar uma resolução maior.

CURIOSIDADE: No caso do Blu-Ray 4K, há apenas três tipos de disco e a velocidade de leitura depende da capacidade:

> Disco de 50 GB: 82 Mbps;

> Disco de 66 GB: 108 Mbps;

> Disco de 100 GB: 128 Mbps.

Este foi o artigo sobre o Blu-Ray, com alguns detalhes sobre esta importante tecnologia! Para informar erros, criticas, sugestões, correções e elogios ao blog, entre em contato pelo hardwarecentrallr@gmail.com

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FONTES e CRÉDITOS:

Texto: Leonardo Ritter

Imagens: Google Imagens, InfoWester.

Fontes: InfoWester, OficinaDaNet; TecMundo; Blu-Ray.com; Ecured; Tibahia Notícias; CD-R Info; Wikipedia (Somente artigos com fontes verificadas!)


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